Facebook continua a lucrar com aumento da desinformação climática

05 de novembro 2021 - 9:54

Desde o início do ano, o alcance deste tipo de falsidades no Facebook aumentou 76.7%, chegando a cerca de um milhão de pessoas por dia. A rede social tem sido avisada mas continua a lucrar com anúncios dedicados à desinformação climática e o seu centro de análise permanece incapaz de lidar com o fenómeno.

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Ilustração do Stop de Heat que insta o Facebook a agir contra o negacionismo climático.
Ilustração do Stop de Heat que insta o Facebook a agir contra o negacionismo climático.

Um relatório divulgado na quinta-feira pelo grupo ambientalista Stop Funding Heat descobriu que a desinformação sobre questões climáticas no Facebook tem dimensões “espantosas”, que está “a aumentar de forma bastante significativa” e que a plataforma lucra diretamente com ela milhares de dólares. O Facebook é mesmo considerado como uma dos maiores fornecedores de desinformação sobre alterações climáticas.

A análise de 48.700 publicações feitas por 195 páginas e grupos conclui que as publicações com o objetivo de menorizar ou negar a crise climática têm uma audiência estimada entre 800.000 e 1,36 milhões de visualizações por dia. Destas, apenas 3,6% do total da desinformação identificada chegou a ser verificada pelo sistema de fact-checking da plataforma.

O número de reações, comentário e partilhas por publicação deste tipo de páginas aumentou 76.7% desde o início do ano.

Numa análise ao Facebook’s Ad Library, entre janeiro e outubro de 2021 foram encontrados 113 anúncios considerados de desinformação climática. 78% do total gasto nestes anúncios veio de apenas sete páginas que já tinham sido sinalizadas anteriormente como divulgadoras ativas de falsidades.

Este é o segundo relatório que a Stop Funding Heat produz em seis meses sobre o mesmo tema. No anterior, publicado em maio e intitulado On The Back Burner fazia-se uma análise de cerca de 150 estudos académicos, reportagens e artigos jornalísticos que expunham vários problemas das normas desta rede sociais sobre desinformação.

Os autores do estudo querem que o Facebook, mais do que declarações sobre como se preocupa com a desinformação climática, implemente medidas como: adotar e publicitar uma definição de desinformação climática que siga os avanços mais recentes da ciência, partilhe a sua investigação interna sobre como a desinformação climática circula na sua plataforma, confirme e “aplique efetivamente” uma “interdição total da desinformação climática” na sua plataforma de anúncios pagos, produza um plano transparente para reduzir a divulgação da desinformação, tornando o processo de fact-checking “mais transparente” e que retire da plataforma as páginas que repetida e deliberadamente publicam este tipo de conteúdo.

O trabalho do atual Climate Change Science Center, o centro para a ciência das alterações climáticas, criado pelo Facebook para analisar este tipo de informações, é assim considerado pouco satisfatório. O Facebook tem procurado defender-se deste tipo de acusações e, na passada terça-feira, Nick Clegg, vice-presidente da empresa, anunciou a expansão deste centro. Mas grupos como o Real Facebook Oversight Board, um observatório independente que se dedica à vigilância desta rede social, sublinham a incapacidade do Facebook de agir contra a desinformação climática. Numa declaração, esta organização defende que “o Facebook não pode nem quer policiar-se. Precisamos de uma supervisão e regulamentação externa real, independente e transparente e de uma investigação sobre todas as atividades do Facebook – incluindo a perigosa propagação da desinformação climática”.