A empresa norte-americana Facebook, também dona do Instagram, ameaçou, esta segunda-feira, tornar impossível a partilha de notícias por parte de utilizadores australianos destas duas redes sociais caso o Governo aprove uma nova regulamentação que altera o acordo existente entre os órgãos de comunicação social e as plataformas on-line.
As novas medidas, propostas pelo Governo australiano, exigem que as plataformas online passem a pagar aos órgãos de comunicação social os conteúdos divulgados nas suas redes sociais. O site NBC News considera esta iniciativa como “o esforço mais agressivo alguma vez feito por qualquer país para conter o poder de Silicon Valley sobre o setor de notícias”.
O modelo proposto exige que as plataformas cheguem a acordos de partilha de receita de publicidade com os órgãos de comunicação social, nos quais os termos finais seriam decididos por entidades independentes, impedindo depois o recurso para desistir dos negócios.
Num comunicado divulgado esta segunda-feira, o Facebook afirma que, depois de revistas as propostas, a empresa fica com duas opções: remover todas as notícias, ou aceitar um sistema em que os editores podem cobrar todos os conteúdos que quiserem com um preço ilimitado. “Infelizmente, nenhum negócio pode funcionar desta forma”, diz o comunicado.
Em Abril deste ano, Josh Frydenberg, um dos responsáveis no Governo por esta iniciativa, disse à comunicação social estar preparado para o confronto com estas grandes empresas. “Não nos iremos vergar às suas ameaças”, disse o governante.
De acordo com a NBC News, o Facebook e a Google lucram com mais de metade dos anúncios digitais nos Estados Unidos da América e mais de 70% na Austrália. Esta desproporção deixou os órgãos de comunicação social com menos receita, apesar de os seus conteúdos chegarem a públicos cada vez maiores.
Nos últimos anos, vários países europeus tentaram fazer com que as plataformas digitais partilhassem os lucros da publicidade com os editores, no entanto todas as iniciativas falharam. Em 2014, o Governo do Estado Espanhol aprovou uma lei para forçar a Google a pagar aos sites de notícias por conteúdo divulgado no Google News. Em resposta a empresa retirou todas as notícias espanholas desta plataforma, provocando um forte impacto nos órgãos de comunicação social daquele país. Também a França e Alemanha tentaram forçar a Google a partilhar as suas receitas, mas sem sucesso.
(Foto de Thought Catalog)