Extinção: um quarto dos peixes de água doce ameaçados

14 de dezembro 2023 - 10:16

A nova versão da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas aponta o dedo à poluição causada por fertilizantes, pesticidas, esgotos, resíduos industriais, às barragens e extração de água, à pesca excessiva, espécies invasoras e doenças. Em Portugal, soube-se esta terça-feira que um terço das populações de aves está ameaçado de extinção.

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Foto de Carlos Eduardo Joos/Flickr.
Foto de Carlos Eduardo Joos/Flickr.

Enquanto nas negociações sobre o clima era apresentada uma proposta que os ambientalistas consideram favorável à indústria dos combustíveis fósseis, a maior autoridade científica mundial sobre conservação das espécies lançava outros dados preocupantes sobre a perda de biodiversidade.

Esta segunda-feira, à margem da COP 28, a União Internacional para a Conservação da Natureza anunciava a revisão da sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, na qual se apresenta a estimativa de que um quarto dos peixes de água doce estão em risco de extinção.

A maior ameaça para estes peixes é a poluição causada por fertilizantes, pesticidas, esgotos, resíduos industriais e outros sedimentos causados por humanos. Calcula-se que afete 57% das espécies em perigo. A seguir na lista, ameaçando 45% das espécies, estão as barragens e a extração de água. Depois vêm a pesca excessiva, as espécies invasoras e as doenças. Todas estas ameaças são agravadas pelas alterações climáticas, afirmou então Catherine Sayer, uma das responsáveis pelo estudo.

A nova versão da lista estende o seu alcance no que toca aos peixes de água doce, alcançando o patamar de avaliação de 80% das espécies conhecidas. Foram avaliadas 14.898, 1.640 das quais pela primeira vez.

Para além da atenção que costuma estar mais voltada para os mamíferos e aves, os outros tipos de espécies também estão ameaçados. Estima-se que 40% dos anfíbios esteja em risco de extinção, 20% dos répteis e um terço das espécies de árvores. Está em curso um análise dedicada às plantas.

Em Portugal, um terço das populações de aves ameaçada

Também em Portugal estão em curso análises sobre a perda de biodiversidade, também aqui se elaboram “listas vermelhas” e, obviamente, as conclusões são também bastante preocupantes.

Esta terça-feira, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves apresentou a mais recente Lista Vermelha das Aves de Portugal Continental, estudo em parceria com a Universidade de Évora, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza da Madeira e o projeto de investigação CIBIO/BIOPOLIS e que contou com a participação de mais de 400 ornitólogos.

De acordo com a lista, um terço das populações de aves no país está ameaçado de extinção. Um aumento de 88 para 95 relativamente à lista anterior.

Em maior risco estão as aves que habitam zonas agrícolas, as migratórias de longa distância que passam o inverno em Portugal e as aves marinhas.

No caso das primeiras, “as monoculturas agrícolas, a simplificação da paisagem, e o aumento do regadio e do uso de agroquímicos” são os responsáveis, de acordo com Domingos Leitão, diretor-executivo da SPEA. A situação de “um grupo de aves único em toda a Europa, que são as aves das planícies de sequeiro do sul e centro de Portugal” é dramática e é urgente “reverter a intensificação agrícola e criar áreas de habitat agrícola com qualidade”, defende. Exemplo são aves como o sisão, a abetarda, a águia-caçadeira e o rolieiro que “sofreram reduções drásticas em toda a sua área de distribuição, incluindo dentro das áreas protegidas”.

Já as aves migradoras de longa distância que passam o inverno em Portugal estão em perigo por causa da pressão humana que danifica zonas de descanso e a orla costeira. A SPEA escreve que “a drenagem de zonas húmidas para a agricultura, desenvolvimento urbano e turístico, a conversão de sapais e salinas em pisciculturas e outras alterações drásticas dos locais de paragem e descanso destas aves está a provocar uma redução acentuada das suas populações”. Os exemplos mais graves são os dos pilritos e maçaricos.

As aves marinhas ameaçadas são, por seu turno, a gaivota-tridáctila, a torda-mergulheira e o papagaio-do-mar, a cagarra e a galheta.