Mulher iraniana acusada de adultério condenada à forca

02 de novembro 2010 - 0:45

Sakineh Astiani, a iraniana acusada de adultério que foi condenada à morte por lapidação, será enforcada, segundo alerta o Comité Internacional contra a Lapidação.

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Protesto na Polónia contra lapidação de Sakineh Mohammadi-Astiani. Foto EPA/Tomasz Gzell Poland Out.

O presidente da Associação Refugiados Políticos Iranianos na Itália, Karimi Davood, afirmou na passada segunda-feira que havia recebido do Irão “informações fundamentadas de uma aceleração dos tempos de execução”. O Comité Internacional contra a Lapidação (CIL) veio entretanto alertar para o facto de ter sido marcada a execução de Sakineh para esta quarta-feira na prisão de Tabriz.

Inúmeras irregularidades processuais

Sakineh, de 43 anos, mãe de dois filhos e viúva desde 2003, foi primeiro acusada de ter tido relações ilícitas” após a morte do seu marido. Entretanto, em 2008, outro tribunal defendeu que as relações tinham tido lugar quando o marido estava vivo e Sakineh foi acusada de adultério e condenada a morrer apedrejada.

A sua pena foi suspensa em agosto, mas, em setembro, as autoridades iranianas anunciaram que a iraniana seria condenada à morte por enforcamento por ter sido cúmplice do assassinato do marido, o que foi considerado pelo Comité Internacional contra a Lapidação (CIL) como uma “manobra de diversão” para tentar assegurar a sua execução.

O CIL relembra que Sakineh já havia sido ilibada no Irão da acusação de envolvimento na morte do marido.

Mina Ahadi, fundadora da CIL, que se encontra refugiada na Alemanha, veio também denunciar que o filho e o advogado de Sakineh estão a ser “brutalmente torturados”. Sajjad Ghaderzadeh, de 22 anos, e o advogado Houtan Kian estão detidos desde 10 de Outubro por terem tido contacto com dois jornalistas alemães do jornal “Bild”.

A resposta da comunidade internacional

O caso de Sakineh Mohammadi-Astiani despertou a atenção, em Julho, da comunidade internacional, dos meios de comunicação internacionais, de organizações não governamentais e governos. O então presidente brasileiro, Lula da Silva, chegou a ofereceu-lhe asilo político.

Em Agosto, Lisboa juntou-se a outras 110 cidades que assinalaram o protesto contra a lapidação de Sakineh.

A notícia relativa ao enforcamento de Sakineh já motivou uma manifestação em Paris, junto à embaixada do Irão e em Bruxeles, à frente do Parlamento Europeu.

A Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Catherine Ashton, pediu ao «Irão para parar com esta execução e comutar a condenação», tendo esta responsável europeia mostrado preocupação por esta iraniana «não ter sido alvo de um processo justo, até porque o seu advogado foi preso».

O Secretário de Estado britânico para o Médio Oriente e África, Alistair Burt, afirmou que a execução de Sakineh «Seria um acto que nós e os nossos parceiros europeus condenariam”.