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Ex secretário geral do CDS assume presidência da CP

O ex deputado e ex secretário geral do CDS Manuel Queiró, que, segundo noticia o jornal Expresso, passará a ocupar a presidência da CP - Comboios de Portugal, passou pela administração das empresas VisaTejo e Soturis, ambas do Grupo Galp Energia, então dirigido por António Mexia, ex ministro do PSD e atual presidente da EDP.
Manuel Queiro durante a intervencao em que apresentou a sua mocao no XXII Congresso do CDS-PP, em Torres Novas, 19 de Maio de 2007. PAULO NOVAIS / LUSA

O executivo do PSD/CDS-PP já tinha enviado, antes do Natal, o nome do novo líder da CP para a Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública (Cresap), que esta quarta feira veio a dar luz verde à proposta.

A nomeação de Manuel Queiró, anunciada pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, surge no momento em que o executivo se prepara para privatizar a CP Carga e em que os trabalhadores identificam como principal obetivo da nova administração prosseguir com o que consideram ser o “desmantelamento” da empresa.

Manuel Queiró, irmão do secretário de Estado do Ensino Superior João Filipe Queiró e do eurodeputado Luís Queiró, casado com Celeste Cardona, ex ministra da Justiça do CDS e actual membro do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, desempenhou funções de administrador da empresa Soturis, S. A., do grupo Galp Energia, até 2004.

O ex secretário geral do CDS foi convidado a ocupar este cargo por António Mexia, à época presidente da Comissão Executiva da Galp Energia, que lhe ofereceu um ordenado mensal de mais de 8 mil euros, assim como vários anos de antiguidade. Enquanto esteve nesta empresa, Queiró foi gestor do projecto de reconversão urbanística da área industrial em Matosinhos - refinaria de Leça da Palmeira. 

Quem também esteve ligado, nessa época, à Soturis foi Henrique Chaves, ex-ministro do Desporto, Juventude e Reabilitação de Santana Lopes, que foi contratado, em regime de avença, para apoiar juridicamente as decisões da empresa.

Em 2009, a empresa apareceu associada à Operação Face Oculta, por suspeita de favorecimento ao grupo de Aveiro do empresário Manuel Godinho. A Soturis foi, inclusive, sujeita a buscas.

A relação profissional entre Manuel Queiró e o ex ministro do PSD e atual presidente da EDP não terá, contudo, surgido na Soturis. Anteriormente, o ex secretário geral do CDS integrou a administração da VisaTejo, empresa responsável pela gestão patrimonial da Gás de Portugal, na qual Mexia ocupava o cargo de presidente do Conselho de Administração.

A VisaTejo foi uma das empresas responsáveis pela construção do empreendimento “Condomínio Residencial Infante à Lapa”, na Avenida do Infante, tendo sido favorecida, segundo um relatório da autoria da Provedoria da Justiça, em 600 mil euros pela Câmara Municipal de Lisboa, então presidida por Carmona Rodrigues.

Em 2007 e 2009 Manuel Queiró foi o autor de uma das moções de orientação alternativas à de Paulo Portas no congresso do CDS. Em julho de 2007 exortava Paulo Portas a "interromper a reflexão a que se votou e tirar as consequências políticas do 'péssimo' resultado que os democratas-cristãos tiveram em Lisboa" e afirmava que existia “um manifesto afastamento deliberado do eleitorado tradicional do partido enquanto o partido for liderado por Paulo Portas”.

Tanto em 2007 como em 2009, o ex secretário geral do CDS defendeu a elaboração de um programa comum com o PSD. "É obrigação dos dois partidos não repetirem o Governo de há quatro anos [2005], quando ambos foram obrigados a governar conjuntamente sem qualquer concertação prévia e com fraquíssima preparação", defendia antes do XXIII Congresso do CDS, realizado em janeiro de 2009.

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