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Ex-governante ia denunciar "desvio de 3500 milhões" em rendas ao sector elétrico

Antes de se demitir do Governo, Henrique Gomes preparava-se para alertar os consumidores do aumento superior a 11% na conta da luz em 2013. O discurso estava escrito, mas não chegou a ser lido. Entretanto, a EDP anunciou o aumento do prémio plurianual a António Mexia, classificado por Eduardo Catroga com a pontuação máxima de "excelente".
Catroga avaliou desempenho de Mexia como "excelente" e a EDP aumentou-lhe o prémio plurianual. Foto José Sena Goulão/Flickr

Para além dos 600 mil euros que representam a componente anual fixa do seu salário, Mexia poderá acumular mais 80% desse valor noutras remunerações variáveis propostas pela comissão de vencimentos da empresa. Por outro lado, o prémio plurianual será aumentado e Mexia poderá ganhar este ano, tal como aconteceu em 2009, uma verba a rondar os 3,1 milhões de euros.

O presidente executivo da EDP é apontado como um dos responsáveis pela saída de Henrique Gomes do Governo, tendo o ex-líder laranja Marques Mendes revelado à TVI24 que o ex-ministro de Santana Lopes tinha uma disputa pessoal antiga com o ex-secretário de Estado. O certo é que Henrique Gomes parecia determinado a acabar as "rendas excessivas" que o Estado oferece ao sector elétrico. Num discurso escrito para intervir numa sessão pública no ISEG, Gomes fala numa "perda incomportável de competitividade da nossa economia e uma sobrecarga socialmente insuportável pelos consumidores" por causa do "sector protegido" da eletricidade.

"As rendas excessivas e a atual garantia de potência impactam fortemente na sustentabilidade futura do sector elétrico, estando a desviar da economia e das famílias recursos num valor global de 3500 milhões de euros até 2020", escreveu o secretário de Estado no seu discurso, acrescentando que para pagar estes custos seria preciso aumentar o preço ao consumidor em 4,7% ao ano.

O discurso não chegou a ser feito, Henrique Gomes demitiu-se e foi substituído após António Mexia ter qualificado de "inutilizável" o estudo encomendado pelo Governo à Universidade de Cambridge, que apotava o dedo às tais "rendas excessivas" pagas ao sector, metade das quais entra diretamente nos bolsos da EDP.

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