O Serviço Municipal de Proteção Civil de Beja evacuou preventivamente no passado dia 6 de fevereiro dois prédio na Rua Alexandre Herculano por estarem, segundo a autarquia, “em risco iminente de ruir e com evidentes problemas de insalubridade e perigo para a saúde pública, colocando em risco vidas humanas”. Num dos prédios foram referenciados 92 cidadãos imigrantes, dos quais 28 ainda estão em acolhimento provisório de emergência social.
Os restantes 64 imigrantes “poderão estar em condições iguais ou piores às que lá tinham”, aponta a concelhia do Bloco de Esquerda de Beja, recordando que aquela casa “é conhecida há anos como “A Pensão” e não tem um mínimo de condições para albergar tantas pessoas, havendo fortes probabilidades de os seus utilizadores dormirem por turnos, em regime de “cama quente””. Uma situação que todos conhecem na cidade e já foi alvo de reportagens televisivas.
As queixas apresentadas por associações de imigrantes e pelo próprio Bloco de Esquerda referem que foram passados com aquela morada mais de mil atestados de residência, bem como contratos de trabalho por uma empresa sediada no nº 6 da mesma rua. “Até esta ameaça de derrocada, nunca houve qualquer intervenção”, prossegue o comunicado do Bloco/Beja, concluindo que este “não é um caso isolado, é fruto da economia de exploração” e reclamando a responsabilização dos proprietários e a sua intimação camarária para fazerem obras de reabilitação estrutural do edifício. “Dinheiro não lhes faltará, com o que têm recebido à custa da exploração de imigrantes”, aponta.
O Bloco desafia a Câmara de Beja a fazer deste caso extremo de degradação “o arranque para uma vasta operação de reabilitação urbana”, considerando que o estado grave em que se encontram estes edifícios exige “respostas políticas corajosas e capazes de resolver o problema pela raiz, incluindo a tomada de posse administrativa de prédios cujos proprietários não possam ou não queiram realizar obras”.
Na campanha autárquica, a candidatura bloquista à Câmara de Beja tornou público o levantamento que fez da existência de 366 edifícios devolutos, estimando que o total possa ultrapassar o meio milhar.