Câmara de Beja entrega gestão da área social a IPSS

23 de janeiro 2026 - 12:02

Com o apoio dos vereadores do Chega e da CDU, a autarquia liderada pela coligação de direita anulou o concurso de contratação de duas técnicas e uma psicóloga e vai delegar tarefas da área social em IPSS. Bloco de Esquerda contesta decisão.

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Edifício da Câmara Municipal de Beja
Edifício da Câmara Municipal de Beja. Foto Vítor Oliveira/Wikimedia Commons

A concelhia de Beja do Bloco de Esquerda contesta a decisão tomada na reunião camarária de 16 de janeiro de anular o processo de contratação de duas técnicas superiores de Serviço Social e uma psicóloga para a Divisão de Desenvolvimento e Inovação Social / Serviço de Ação e Desenvolvimento Social. Esta anulação teve os votos favoráveis da coligação PSD-CDS-IL, que preside ao município, mas também do vereador do Chega e dos dois vereadores da CDU, contando apenas com a oposição dos dois vereadores do PS.

A decisão contraria o que foi aprovado por unanimidade há apenas seis meses na vereação, quando era presidida pelo PS, incluindo o voto do atual presidente quando era vereador do PSD e da maioria dos restantes elementos da atual vereação. “O que mudou em seis meses?”, questiona a concelhia bloquista, respondendo com o resumo da justificação do atual edil Palma Ferro: o que mudou foi a visão política e por isso, em vez de reter o dinheiro na Câmara, esta delegará tarefas da área social, como a atribuição do RSI, em IPSS. “O município mantém a responsabilidade e as IPSS executam”, disse o autarca.

O Bloco de Esquerda em Beja contrapõe que o município ”perdeu uma excelente oportunidade de integrar nos seus quadros três técnicas superiores, contratadas a prazo desde 2023, após a transferência de competências para os municípios”. E acrescenta que “com o cancelamento do concurso e o provável regresso a IPSS, estas trabalhadoras continuarão num ciclo de trabalho precário”.

Sobre a justificação do autarca, a concelhia bloquista admite que se trata de “uma opção política e ideológica e esta tem um nome: neoliberalismo”. E  por isso estranha o voto a favor dos vereadores da CDU, “pois têm repetido que o pelouro a tempo inteiro do vereador Vítor Picado não os obriga a votar ao lado da direita”. A somar esta posição à do voto favorável  do Plano de Atividades e do Orçamento da Câmara de Beja para 2026, ao lado do PSD e do Chega, a concelhia do Bloco em Beja conclui que “este posicionamento já não é só defeito, é feitio”.

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