37 eurodeputados, entre os quais os dois eleitos bloquistas, Marisa Matias e José Gusmão, escreveram esta quarta-feira uma carta ao homem mais rico do mundo. Questionam o patrão da Amazon, Jeff Bezos, sobre a monitorização de políticos e sindicalistas na sequência da publicação de dois anúncios de emprego em que se pretendia contratar um analista digital com experiência “militar ou em forças de segurança” para o seguimento de “líderes políticos hostis” e de “ameaças sindicais”.
Os anúncios foram entretanto apagados mas deixaram a sua pegada digital, sendo assim ainda possível aceder ao seu conteúdo. Depois de uma primeira notícia na Vice News sobre eles, uma porta-voz da empresa declarou “tinha sido cometido um erro” e que “o anúncio de emprego não continha uma descrição precisa”.
Já a semana passada vários sindicatos europeus tinham pedido uma investigação da Comissão Europeia a esta situação. Agora é a vez dos eurodeputados se mostrarem preocupados com a perseguição que a Amazon faz aos seus trabalhadores que se tentam organizar e com a possibilidade da empresa ter montado um sistema de espionagem a políticos que tenham questionado os abusos laborais da empresa. Para eles, esta “monitorização” tem afinal como objetivo “reprimir a ação coletiva e a organização sindical”.
Para além disso, escrevem que “dentro dos armazéns da Amazon, a intensidade das tarefas, a pressão constante para a produtividade, uma gestão baseada no controlo cronometrado dos gestos manuais e o uso de chantagem relativamente ao desempenho individual permitem evitar quaisquer forma de organização coletiva dos trabalhadores”.
Ontem dirigimos uma carta @JeffBezos a propósito de dois anúncios de emprego para contratar peritos em análise de informação para “monitorizar” os seus trabalhadores e políticos. Uma iniciativa da @leilachaibi que reuniu 37 deputados europeus, entre os quais @joseggusmao e eu. pic.twitter.com/QF1W9bqfgN
— Marisa Matias (@mmatias_) October 7, 2020
A coordenadora do processo de produção da missiva foi a deputada da França Insubmissa, Leïla Chaibi, que acrescentou, ao Guardian, que em várias audiências trabalhadores da Amazon têm declarado sentir-se pressionados para não se sindicalizarem.