De acordo com o The Wall Street Journal, os supervisores da Securities and Exchange Commission dos EUA – SEC (Comissão do Mercado de Valores dos EUA) estão a avaliar as opções que têm sobre a mesa para atacar com êxito estas empresas, em sede de tribunal, isto depois de realizada uma investigação sobre o papel que aquelas desempenharam no processo de venda de dívida atrelada a hipotecas subprime.
É isso que é identificado como o epicentro do terremoto que desabou há três anos no Bear Stearns e, em seguida, no seu rival Lehman Brothers. Entre as empresas que poderão ser intimadas com esta acção que está a ser considerada, o jornal americano cita a Standard & Poors que após este anúncio viu cair a cotação das suas acções na bolsa.
Do mesmo modo, a Moody's viu os seus títulos baixarem 8 por cento. Registam-se receios de que a a investigação da SEC termine exigindo responsabilidades a outras empresas além da S&P.
Até agora, o dedo acusador dos órgãos reguladores e das investigações realizadas no Congresso norte-americano limitou-se a lançar reprimendas morais contra os titãs de Wall Street. Uma das dificuldades da SEC tem sido a de conseguir um meio de prova de que houve má conduta ou fraude.
As agências de classificação foram um elo importante na cadeia de securitização de hipotecas. Foram elas que atribuíram notas aos pacotes da dívida que os bancos foram estruturando. E foi graças à boa classificação atribuída que as entidades puderam colocá-los sem problemas no mercado. Até que estoirou a bolha imobiliária e o papel deixou de ter valor.
Até agora, as agências de rating foram resolvendo os créditos ao sector privado, um por um, fora do tribunal. A mesma estratégia é seguida pelos grandes bancos.
A Comissão do Congresso que investigou a crise concluiu que "o fracasso das agências de notação financeira constituíram engrenagens essenciais na máquina de destruição financeira. As três agências foram ferramentas-chave do caos financeiro. Os títulos relacionados com hipotecas no coração da crise não teriam sido comercializados e vendidos sem o seu selo de aprovação".
As agências de rating limitam-se a deixar claro que até ao momento nenhuma acusação foi apresentada contra elas e que estão a cooperar com os reguladores.
No ano passado, a SEC lançou uma acção contra a Goldman Sachs, que foi resolvida nos escritórios com um reembolso de 500 milhões de dólares, sem que a empresa tenha admitido que agiu de forma irregular.