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EUA: migrantes em greve de fome alimentados forçadamente

Agentes dos serviços federais de imigração norte-americanos estão a alimentar de forma forçada seis migrantes detidos que estão em greve de fome há um mês. Os migrantes queixam-se de abusos e da detenção prolongada de que são alvo.
Migrantes detidos no Centro de Detenção de Otay em San Diego, 2014. Foto de BBC World Service/Flickr

Dezenas de migrantes detidos pelas autoridade norte-americanas estão em greve de fome como forma de protestar contra abusos verbais, ameaças injustificadas de deportação feitas pelos guardas e demoras nos procedimentos legais para a entrada no país.

Os serviços norte-americanos responsáveis pela imigração e fronteiras (ICE) admitem apenas a existência de 11 detidos em greve da fome na instalação de detenção para migrantes no Texas, o El Paso Processing Center. Contudo, os detidos, familiares e um advogado comunicaram à agência noticiosa AP outros números. Alegam ser trinta os detidos em greve de fome neste centro de detenção.

Para além da greve de fome em El Paso, a ICE admite ainda a existência de mais quatro detidos que adotaram esta forma de protesto em Miami, Phoenix, San Diego e São Francisco.

Duas semanas depois do início da greve de fome em El Paso, um juíz federal autorizou a alimentação forçada de alguns deles. De acordo com esta decisão, a agência federal de imigração está a usar tubos de plástico nasais para alimentar de forma forçada seis desses migrantes. Porém, o ICE recusa dar informações sobre o número total de casos de alimentação forçada a que tem recorrido.

Provenientes da Índia e de Cuba, alguns destes estariam já debilitados ao ponto de não se conseguir manter em pé ou falar. Amrite Singh, tia de dois dos detidos provenientes do Punjab requerentes de asilo, fala em sangramento nasal permanente, crises de vómito e perda da capacidade de falar. O processo de alimentação forçada, extremamente doloroso, consiste em enfiar um tubo pelo nariz até à garganta. A Associação Médica Americana é contrária a esta prática. Na declaração de Tóquio da Associação Médica Mundial está inscrito o princípio de que quando prisioneiros capazes de “juízo racional acerca das consequências dessa recusa voluntária de alimentação, ele ou ela não deverá ser alimentado artificialmente”.

Desde Maio de 2015, a organização Freedom for Immigrants referenciou 1,396 detidos que entraram em greve em 18 centros de detenção.

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