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EUA e Europa são os principais responsáveis pelo colapso ecológico

Um estudo analisou os estragos ambientais causados pelo uso excessivo de recursos naturais em 160 países ao longo de 50 anos. Os resultados mostram um fosso enorme na dívida ecológica que chocou os próprios investigadores.
Lixo na praia. Foto de John Schneider/Flickr.
Lixo na praia. Foto de John Schneider/Flickr.

Avaliar a responsabilidade nacional de 160 países pelos estragos causados ao ambiente nos últimos 50 anos. Este foi o objetivo do estudo National responsibility for ecological breakdown: a fair-shares assessment of resource use, 1970–2017 publicado este mês na revista científica Lancet. A conclusão a que se chegou foi que os Estados Unidos da América e a Europa são os principais responsáveis pela sobre-utilização de recursos naturais ao nível planetário.

De acordo com os investigadores, os EUA são responsáveis por 27% do uso excessivo de recursos do mundo. Pouco atrás fica a União Europeia com 25% na altura em que o Reino Unido ainda dela fazia parte. Somados, vários dos outros países ricos, como Austrália, Canadá, Japão e Arábia Saudita alcançam os 22%. A China foi responsável por 15% da sobre-utilização. Todos os países pobres juntos apenas 8%.

A conclusão é assim que “as nações com rendimentos altos são os principais motivadores do colapso ecológico e precisam de reduzir o uso de recursos para níveis justos e sustentáveis”. As nações mais ricas deveriam “tomar a dianteira ao fazer reduções radicais do uso de recursos para evitar uma maior degradação” já que o fosso da dívida ecológica é enorme.

Ao Guardian, Jason Hickel do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autónoma de Barcelona, o investigador principal, disse que os autores ficaram “chocados” porque não esperavam que a contribuição dos países mais ricos fosse “tão elevada”. Para ele, para alcançar níveis sustentáveis estes países precisariam “reduzir o seu uso de recursos em média em cerca de 70%”.

Os investigadores aconselham estes países a que “parem de se focar no crescimento do PIB como um objetivo principal e, em vez disso, organizem as suas economias à volta da ajuda ao bem-estar e à redução das desigualdades”.

Os autores sublinham, aliás, a questão das desigualdade sociais. Andrew Fanning, da Universidade de Leeds, faz questão de realçar que “nem todas as pessoas nas nações ricas são igualmente responsáveis pelo colapso ecológico. Para além de reduzir a desigualdade entre países, reduzir a nossa dependência do crescimento significa também reduzir as desigualdades da experiência vivida no seu interior”.

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