EUA com maior número de pobres dos últimos 50 anos

18 de setembro 2010 - 19:35

Um em cada sete americanos vive abaixo da linha da pobreza e a situação não tende a alterar-se devido aos níveis preocupantes do desemprego, cuja taxa se mantém perto dos 10%.

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O Presidente dos EUA, Barack Obama, enfrenta uma taxa crescente do desemprego que não se coaduna com o quadro geral da retoma económica anunciada, ainda que esta comece a dar sinais nos mercados financeiros. Foto LUSA/EPA/MICHAEL REYNOLDS

Segundo o Census Bureau, que compila as estatísticas nos EUA e que divulgou estes dados na quinta-feira, 2009 foi o terceiro ano consecutivo em que a taxa de pobreza subiu no país, grande parte por causa da recessão, passando de 13,2 por cento em 2008 para 14,3 por cento no ano passado.

Isto significa que 43,6 milhões de americanos estavam na categoria de pobres em 2009.

Estas estatísticas reflectem o profundo impacto que a recessão teve na vida dos americanos nos últimos três anos e podem vir a condicionar os resultados das eleições intercalares de Novembro. “Estes números deviam funcionar como um grito de alerta”, disse Peter Edelman, professor da Universidade de Georgetown, que lidera um centro de investigação sobre pobreza e desigualdade. “São números profundamente preocupantes”, cita o Público.

Nas organizações onde os desempregados chegam diariamente à procura de emprego ou de comida para mais um dia, estas estatísticas não provocam qualquer surpresa.

Num centro de apoio, no condado de Prince William (Virgínia), na quarta-feira de manhã as prateleiras do dispensário já estavam a ficar vazias e ainda havia muita gente à porta. O jornal Público, através do jornal norte-americano The Washington Post, conta o caso de Carol Williams que vai ali uma vez por mês, desde Janeiro, altura em que foi despedida de um centro médico devido a cortes orçamentais.

“Trabalhei desde os 15 anos e agora, pela primeira vez, não tenho um emprego e não consigo alimentar a minha família”, conta esta mulher de 55 anos. “Tenho um diploma, mas isso não interessa. Não há empregos”, diz Carol.

São cada vez mais pessoas com o mesmo percurso de Carol que chegam à porta das organizações de apoio social. “São pessoas que têm uma boa educação superior, os seus diplomas e que nunca estiveram nesta situação em que se vêem obrigadas a pedir comida ou abrigo”, explica Vickie Koth, directora da Good Shepherd Alliance, no estado da Virgínia. São pessoas, recorda Koth, que antes doavam dinheiro para ajudar os mais pobres e que agora repetem: “Nunca pensei que um dia estaria aqui.”

Segundo outro jornal norte-americano, o The New York Times, um sinal indirecto desta agonia geral e contínua é o aumento nos receptores do cupão de alimentação, que agora inclui quase um em cada sete adultos e uma parcela ainda maior de crianças do país. A meio de 2010, o número de beneficiários atingiu 41,3 milhões, mas no início do ano eram 39 milhões no início do ano. Os números da pobreza crescem vertiginosamente, indicando que a crise nos EUA ainda não abrandou, antes continua a atingir cada vez mais cidadãos americanos.