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Estudantes exigem "Fim ao fóssil" e ocupam escolas em Lisboa

O fim dos combustíveis fósseis até 2030 e a demissão do ministro da Economia Costa e Silva, "o fóssil no Governo", são as principais reivindicações dos estudantes que ocuparam escolas em Lisboa esta segunda-feira.
Ocupação na Escola António Arroio em Lisboa. Foto Salvar o Clima/Twitter

Esta segunda-feira, estudantes e ativistas climáticos
promoveram ações de protesto em Lisboa com ocupação das instalações do Liceu Camões, Escola António Arroio, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Faculdades de Letras, Ciências e Instituto Superior Técnico. Cada um destes núcleos da campanha Fim ao Fóssil: Ocupa! pretende ficar nas instalações até ao final da semana e organizar naqueles espaços ações de formação, debates e convívio sobre justiça climática enquanto os líderes políticos estão na COP-27 a adiar as soluções necessárias, ou, como afirmou Alice Gato à SIC, "a fazer aquilo para que estão programados para fazer".

Estas iniciativas marcam o início de uma Quinzena de Ações que prossegue no sábado, 12 de novembro, às 14h com uma marcha com partida do Campo Pequeno, em Lisboa.

A ocupação das escolas surge na sequência do balanço feito pelo movimento da greve climática estudantil. Para esta ativista do Fim ao Fóssil: Ocupa!, "as greves às aulas não foram eficazes o suficiente porque as emissões continuam a aumentar". Por isso, "em vez de simplesmente faltarmos às aulas e voltarmos para casa ao fim do dia como se nada tivesse passado, vamos reclamar estes espaços e dizer que estes espaços têm de nos estar a preparar para a crise climática", afirma Alice Gato.

O movimento de ocupação de escolas e faculdades por esta campanha tem vindo a crescer nos últimos meses noutros países, com os estudantes a apropriarem-se de espaços  "que deviam estar a projetar-nos para um futuro, mas esse futuro não vai existir se não cortarmos imediatamente as emissões de gases com efeito de estufa e a única forma de fazer isso é deixar os combustíveis fósseis", concluiu a ativista.

Outra das porta-vozes da ocupação, Carolina Loureiro, afirmou à agência Lusa que ela “não é só um espaço de ativismo, disrupção e luta. É também um espaço educativo e de apoio às artes, e vamos ter uma série de palestras, aulas com o apoio de alguns professores e ‘workshops’”.

Na António Arroio, o porta-voz dos estudantes, William Hawkey, disse à Lusa que a intenção é não sair da escola no resto da semana. "Queremos ficar até ao último segundo. Se isso implicar retirarem-nos à força, retirem-nos à força. Se implicar dormir, dormimos e se implicar ficar uma semana inteira, ficamos, até as nossas vozes serem ouvidas”, prometeu o ativista.

O fim dos combustíveis fósseis até 2030 e a demissão do ministro da Economia e do Mar e ex-CEO da petrolífera Partex Oil and Gas, António Costa e Silva, que consideram ser um "fóssil no Governo", são as duas principais reivindicações a unir o movimento. Cada núcleo acrescenta a sua lista de reivindicações próprias, que passam pelo fim do assédio e discriminação por parte dos docentes, mais apoios à habitação estudantil, o fim das propinas e dos exames nacionais obrigatórios, entre muitos outros.

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