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Estudantes da Universidade do Porto denunciam ações xenófobas e racistas

O coletivo de estudantes Quarentena Académica denunciou publicamente os atos ocorridos nas Faculdades de Engenharia e Letras da Universidade do Porto. Estudantes de nacionalidade brasileira serão o principal alvo.
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Fotografia de Universidade do Porto.

De acordo com o coletivo de estudantes universitários Quarentena Académica, estão a ocorrer atos de xenofobia e racismo por parte de alunos e professores nas Faculdades de Engenharia e Letras da Universidade do Porto.

Em declarações à agência Lusa, a Quarentena Académica explica que tem recebido denúncias de estudantes, maioritariamente de nacionalidade brasileira, a respeito de comentários xenófobos e sexistas que estão a ser publicados nas redes sociais por perfis identificados como pertencendo à Universidade do Porto. O coletivo estudantil chega mesmo a dizer que os comentários partem não apenas de alunos, mas também de professores.

Segundo fonte da Universidade, esta já está informada da situação mas diz só poder avançar com processos disciplinares se receber alguma queixa formal das vítimas – algo que até ao momento não terá acontecido.

Inicialmente, segundo Ana Isabel Silva, porta-voz da Quarentena Académica, terão sido os próprios estudantes brasileiros da Universidade do Porto atingidos pelos atos de xenofobia e racismo a realizarem a denúncia junto da Reitoria.

“Foi-lhes dito pela Reitoria que a Universidade não tolerava esses comportamentos, mas não houve nenhuma investigação, nem nenhum processo contra alunos e docentes que [alegadamente] terão cometido esses atos”, acrescentou à Lusa Ana Isabel Silva, observando que os atos de xenofobia se têm vindo a registar-se desde o início deste ano letivo, mas aumentaram com pandemia, nas redes sociais.

Segundo fonte da Universidade, esta já apelou à denúncia e apresentação de queixa “para eventual abertura de processos disciplinares aos agressores”. A instituição já denunciou os perfis nas redes sociais e apelou à comunidade académica para que fizesse o mesmo.

“Denunciámos também na Comissão Para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), organismo especializado no combate à discriminação racial”, acrescenta.

Numa mensagem publicada no site da Universidade do Porto, o reitor António Sousa Pereira afirmara que não são tolerados na comunidade académica “quaisquer atitudes de xenofobia, racismo, machismo ou discriminação, ou atitudes difamatórias e atentatórias do bom nome e da dignidade individual”.

“Apelamos a todos os docentes, estudantes e trabalhadores não docentes para que honrem o caráter superior da nossa Instituição, seja no domínio académico e científico, seja nos planos ético, moral, social e da própria linguagem com que comunicamos”, refere.

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