Nas contas oficiais, no ano letivo 2011/12 as escolas básicas e secundárias perderam 13 mil alunos em relação ao ano anterior. Uma perda sentida sobretudo nos primeiros ciclos, já que no 3º ciclo e no secundário o número de alunos até aumentou. Mas desde janeiro de 2011 até junho passado, as escolas perderam 29 mil professores - entre os contratados dispensados e os que se reformaram - e os horários zero passaram para 18 mil. Para a Fenprof, o decréscimo do número de alunos (que estima em 20 mil nos últimos dois anos letivos) "nunca se poderia traduzir numa redução de 47 mil horários de trabalho de professores".
"Esta é uma relação que nem a mais trapaceira manipulação estatística, tão do agrado do Ministério da Educação e Ciência, conseguiria tornar credível", prossegue o comunicado da Fenprof, antes de concluir que se as contas de Nuno Crato batessem certo, a quebra de 20 mil alunos "daria uma redução do número de professores na ordem dos mil".
Os professores não têm dúvidas em responsabilizar o Ministério por uma política de "desvalorização da Educação e destinada a despedir professores", destacando medidas como o aumento do número de alunos por turma, as alterações curriculares para reduzir o número de professores, a criação dos mega-agrupamentos ou o agravamento do horário de trabalho "através da manipulação da sua organização e da relação entre componente letiva e não letiva".
"Como a Fenprof sempre afirmou, não há professores a mais nas escolas, o que há, com as atuais políticas de redução e corte cego, é cada vez menos escola!", declara o comunicado da federação sindical dos professores, antes de concluir que quem está a mais é "uma equipa ministerial e um governo que decidiram destruir a Escola Pública e o futuro de milhares de crianças e jovens".