A Empordef, holding do Estado que detém a totalidade do capital social dos Estaleiros de Viana, vai reunir em Lisboa no dia 7 de Julho para aprovar o plano de reestruturação da empresa. A moção aprovada na manhã desta quarta-feira na Praça da República, por cerca de 700 trabalhadores, apela à "suspensão imediata" deste plano que prevê a saída de 380 dos 720 trabalhadores dos Estaleiros.
“Pensamos que é um prazo razoável para haver um sinal da parte do poder político de que vai haver uma suspensão da decisão de despedimento brutal e que haverá outra solução para a empresa”, explicou António Barbosa, porta-voz da Comissão de Trabalhadores.
Os trabalhadores criticam a atitude da administração que quer despedir rapidamente metade da força de trabalho da empresa e lembram que nos próximos cinco anos, “mais de 450 funcionários estarão acima dos 55 anos”.
“Ou seja, com outra disponibilidade para negociar a pré-reforma e não implementando este processo em cinco meses. Em outubro a administração falou numa reestruturação, ainda sem números, mas a implementar em cinco anos, não percebemos o que mudou entretanto”, criticou António Barbosa.
Um dos participantes na manifestação foi o secretário-geral da CGTP. Carvalho da Silva criticou o silêncio de Cavaco Silva sobre a situação nos Estaleiros de Viana em contraste com os discursos do Presidente da República sobre a economia do mar ou a produção nacional. “O homem ficou calado, sem dizer uma palavra. Ele que tanto prejuízo e desatenção deu ao sector do mar enquanto primeiro-ministro”, recordou Carvalho da Silva.
O dirigente bloquista Pedro Soares também esteve presente nesta manifestação que ocorre dias depois de ter reunido com a Comissão de Trabalhadores sobre o plano de reestruturação que apelidou de "incompetente". O Bloco de Esquerda já tinha levado no dia 22 este assunto ao parlamento, através das questões levantadas pela deputada Mariana Aiveca ao Ministério da Economia.