"Sabemos que Luís Filipe Menezes tem um projeto para criar aqui um parque de diversões, obrigatoriamente concessionando o espaço a privados. E que a outra candidatura da direita também deseja uma concessão. Não concordamos com esta solução", afirmou José Soeiro aos jornalistas. O candidato da campanha "E se virássemos o Porto ao contrário?" também defende "a devolução à cidade do Rivoli como âncora de uma política cultural pública", bem como a requalificação do Mercado do Bolhão e a urgência de "parar com a alienação de património" da cidade.
Com uma lista "totalmente paritária e intergeracional", esta candidatura "é sustentada pelo Bloco, mas é um projeto democrático que tenta fazer a convergência entre a militância política e a militância social", explicou Soeiro, sublinhando a presença de muitos independentes e figuras ligadas a movimentos cívicos e sociais com intervenção na cidade, como os movimentos em defesa do Rivoli, dos mercados do Bolhão e do Bom Sucesso, dos jardins do Palácio de Cristal, dos moradores de Aldoar ou do projeto comunitário que promoveu a ocupação da escola da Fontinha, abandonada pela autarquia.
"Nesta lista estão vozes em pé de igualdade. É uma lista que dá corpo e dá voz aos principais movimentos que têm resistido e que têm sido oposição à Direita", acrescentou José Soeiro, explicando que os dez primeiros candidatos à Assembleia Municipal irão ter voz no parlamento da cidade, através da regra da rotatividade nessa função. Também na Câmara, a lista encabeçada por José Soeiro é maioritariamente composta por independentes e com o compromisso de rotatividade com o número dois da lista, o ator e programador Mário Moutinho. Seguem-se Conceição Nogueira, Regina Guimarães, José Lino, Esmeralda Mateus, Tatiana Moutinho, Isaque Palmas, Maria Rodrigues, José Gigante, Graça Lucena, António Pina, Milice Ribeiro dos Santos, José Paiva, Jorge Campos, Teresa Salselas, Luis Peres e Maria Manuel Rola.
Outdoors de campanha são intervenções artísticas na cidade
A candidatura trouxe ao Porto uma forma diferente de fazer campanha, aproveitando os espaços da propaganda para intervenções de artistas na cidade, numa altura em que Rui Rio continua a perseguir a arte urbana portuense. Todos os outdoors (cartazes de 8x3 metros) da campanha serão obras únicas e construídas em tempo real pelos candidatos e apoiantes da candidatura. O primeiro dos sete outdoors teve a autoria de Fernando José Pereira e o segundo de José Paiva. Seguir-se-ão agora outros cinco artistas em movimento noutras zonas da cidade.
Os temas da campanha bloquista serão "a habitação, resposta à crise social, abertura de um processo participativo e devolução de equipamentos públicos à cidade". José Soeiro diz que esta candidatura pretende "abrir as portas da autarquia a uma maior participação dos cidadãos, permitindo a sua presença e participação em reuniões, realizando-as em locais em que possam assistir", mas também apostar em mais "instrumentos participativos da população" como o planeamento participado, os referendos locais ou o orçamento participativo.