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Esquerda Europeia junta-se em Aveiro este fim de semana

O Bloco de Esquerda é o anfitrião da Universidade de Verão da Esquerda Europeia entre 8 e 12 de julho. A guerra na Ucrânia e a viragem eleitoral em França são dois dos temas na agenda dos debates.

A Universidade de Verão da Esquerda Europeia arranca na sexta-feira à noite com um momento musical e os debates preenchem os três dias seguintes (ver programa completo). “É a terceira vez que a Universidade de Verão se realiza em Portugal, depois de já ter acontecido em Tavira e no Porto”, recordou Luís Fazenda ao Esquerda.net. Esta iniciativa realiza-se anualmente em países diferentes. “Era a nossa vez em 2020, mas devido à pandemia do covid-19 só agora se pode realizar”, explica o dirigente bloquista, justificando a escolha do Bloco pela cidade de Aveiro - as sessões decorrem na Escola Secundária José Estevão - por se tratar de “um espaço acolhedor para a liberdade de pensar e conviver”.

“Uma esquerda forte para parar as guerras imperialistas” foi o lema escolhido para o encontro. Mas à esquerda, não só em Portugal como no resto da Europa, são várias as posições face à agressão de Putin à Ucrânia. No caso dos partidos que compõem a Esquerda Europeia, essa questão não se coloca, pois a organização “condenou claramente a invasão e a guerra de ocupação que a Rússia desenvolve na Ucrânia”, afirma Fazenda. Isso não significa que os 26 partidos europeus que integram a organização falem a uma só voz. Por exemplo, “alguns partidos têm apreciações diferentes sobre o armamento da resistência ucraniana e há formas de comunicação que são diferentes quanto à caracterização do imperialismo russo”.

Diferenças que certamente irão ser expostas nos debates desta Universidade de Verão, a começar pela manhã de abertura, em que um dos temas propostos a plenário se intitula “As consequências da guerra para a esquerda: para onde vamos”, ou no dia seguinte, com o tema “A resposta da esquerda radical ao militarismo e à guerra”. Mas apesar de as orientações sobre o que fazer face ao conflito às portas da Europa não encontrarem unanimidade, “todos temos claro o papel expansionista e militarista da NATO, perigando a segurança dos povos”, conclui o dirigente do Bloco.

No último dia intervirá a economista política ucraniana Yuliya Yurchenko, investigadora na Universidade de Greenwich, num painel sobre democracia e o combate à extrema-direita, ao lado do dirigente bloquista Fabian Figueiredo que integra o grupo de trabalho da Esquerda Europeia sobre o tema.

Feminismo, transição climática e uberização do trabalho

A Universidade contará com intervenções de deputados, eurodeputados, autarcas e dirigentes dos vários partidos, além de dirigentes sindicais e ativistas sociais. Entre eles estará Marisa Matias, que fará o discurso de boas-vindas e intervirá num painel dedicado à transição energética e combate às alterações climáticas, ao lado do coordenador da Rede de Sindicatos para a Democracia Energética -  que junta organizações sindicais de 26 países de todo o mundo - e de dirigentes da esquerda da Hungria e Finlândia. O eurodeputado bloquista José Gusmão irá intervir na sessão dedicada à economia política nas periferias europeias com o economista italiano Giuseppe Celi e a historiadora checa radicada na Finlândia Veronika Sušová-Salminen. E a ativista pela justiça climática Andreia Galvão participará num plenário sobre a unidade das lutas socialista, feminista e ecologista, ao lado do sociólogo húngaro Attila Melegh, da socióloga francesa Gala Kabbaj, do Espaces Marx e da jovem deputada do PTB belga Amandine Pavet.

“Para além de muitos temas sugeridos pela rede Transform! e pela Esquerda Europeia, onde claramente se destacam a guerra, as alterações climáticas ou o feminismo, introduzimos a uberização do trabalho, entre outros temas de diálogo”, refere Luís Fazenda. O debate sobre uberização e luta de classes contará com a participação do deputado bloquista José Soeiro e da secretária-geral da Federação dos Trabalhadores dos Transportes Nórdicos, da Suécia.

Porta-voz do PCF e diretor de campanha de Mélenchon fazem balanço da subida eleitoral da esquerda francesa

Uma das sessões mais concorridas será certamente a que irá fazer o balanço e as perspetivas abertas pelo resultado da esquerda nas recentes legislativas em França. Para Luís Fazenda, esse resultado “é um bálsamo no panorama europeu e mostra como uma esquerda plural pode combater em simultâneo o bloco do neofascismo e o bloco liberal para uma resposta social e ecológica à crise geral”. A sessão contará com intervenções do eurodeputado da França Insubmissa Michel Bompart, que dirigiu a campanha presidencial de Jean-Luc Mélenchon, e de Ian Brossat, porta-voz do Partido Comunista Francês. Os dois partidos integraram a coligação NUPES formada após essa eleição, juntando também ecologistas e socialistas. Os deputados eleitos pela NUPES nas legislativas representam agora a segunda força política francesa.

No último dia da Universidade, antes do encerramento com a presença de Catarina Martins e dos líderes da Esquerda Europeia e da Rede Transform!, Heinz Bierbaum e Conny Hildebrandt, realiza-se uma mesa redonda que irá juntar Mariana Carneiro, do Esquerda.net, a redatores de vários jornais, revistas e sites da esquerda espanhola, italiana, lituana, polaca, checa, húngara e romena.

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