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“Esperamos conseguir transformar a ex-sede da PIDE num museu vivo”

O documentário “Museu da Vergonha”, de Luís Monteiro e José Castro, está a meio do seu périplo pelo país. Em conversa com o Esquerda.net, Monteiro afirmou esperar que este trabalho consiga transformar a ex-sede da PIDE num museu voltado para a liberdade e a democracia.

O documentário “Museu da Vergonha”, de Luís Monteiro e José Castro, já foi apresentado no Porto, em Valongo, em Santa Maria da Feira e em Vila Nova de Gaia. No próximo dia 5 de junho, às 21h, vai ser exibido no Museu do Aljube, com apresentação de Fernando Rosas, Alice Samara e Luís Farinha. No dia 7, será apresentado em Aveiro. Estão ainda a ser agendadas sessões no Porto, em Almada, no Barreiro, no Seixal e em Santo Tirso.

Em entrevista ao Esquerda.net, e falando sobre as motivações para este documentário, Luís Monteiro afirmou que “A reivindicação já não é nova. Desde o dia 27 de Abril de '74 que a reivindicação de transformar a ex-sede da PIDE num espaço musealizado existe. Foi justamente no jornal diário A República que um leitor escreveu uma crónica nesse sentido. O título era: "Porque não transformar a Ex-Sede da PIDE em Museu da Vergonha?". Já deu para perceber onde fomos roubar o nome da curta-metragem”.

A ideia do projeto “partiu de um conjunto de conversas que mantive com o José Castro, um dos muitos presos políticos que passou pela PIDE, no Porto. Faz parte do movimento cívico "Não Apaguem a Memória", coletivo que tem vindo a defender justamente a criação de um espaço de memória à luta antifascista no norte do país”.

“Inicialmente, a ideia estava difusa”, contou Luís Monteiro, admitindo que “nenhum de nós tem sequer conhecimentos técnicos para filmar ou montar um documentário”. Contudo, “após arranjarmos esse apoio (que é o verdadeiro responsável por hoje podermos apresentar a obra), fomos contactando as pessoas cujos depoimentos queríamos: do Manuel Loff à Professora Alice Semedo, do Jorge Pisco (último preso político a sair do edifício a 26 de abril de '74) ao Sérgio Valente ("fotógrafo da Revolução", como é conhecido). E condensámos todas as gravações num fim de semana.”

Antes disso, houve “um trabalho de pesquisa que demorou vários dias”. As fotografias de arquivo vieram quase todas do Sindicato dos Jornalistas. As capas dos jornais vieram de “tardes longas” no Arquivo Distrital do Porto”. O resto vem das coleções particulares dos ex-presos políticos com quem o documentário foi gravado.

“As últimas semanas têm sido na estrada, a apresentar o filme e a debater com quem aparece. Esperemos que, com este trabalho, consigamos realmente transformar a ex-sede da PIDE do Porto num museu vivo, virado para a Liberdade e para a Democracia”, afirmou Luís Monteiro.

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