O prémio de risco, que reflete a rendibilidade que os investidores pedem para trocar dívida espanhola e a que solicitam para negociar a dívida alemã, chegou hoje a atingir os 649 pontos base, após ter encerrado ontem com 638 pontos. Os juros alcançaram os 7,747%, contra os 7,63% registados ontem.
Mediante as declarações de Ewald Nowotny, membro do Banco Central Europeu (BCE), sobre a possibilidade de efetivamente se atribuir uma licença bancária ao mecanismo permanente de estabilidade europeia, algo a que o BCE se tem oposto, acabou por determinar o alívio dos juros, que acabaram por se fixar nos 7,527%. Também o prémio de risco cedeu 11 pontos base, para os 611,8.
Até à data, três comunidades já tiveram que recorrer ao fundo de financiamento estatal: Catalunha, Valência e Múrcia.
A Moody's colocou, entretanto, em perspetiva negativa a dívida do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Esta agência de notação colocou ainda em perspetiva negativa a dívida da Alemanha, Holanda e Luxemburgo, argumentando que estes países estão ameaçadas pelos problemas que a zona euro enfrenta, nomeadamente uma possível saída da Grécia do euro.
"Mesmo que tal acontecimento seja evitado, existe uma probabilidade cada vez mais forte de que seja pedida ajuda para outros Estados da zona euro, nomeadamente Espanha e Itália", avançou a agência de notação, sublinhando que que "o fardo" deverá pesar sobre os Estados-Membros tidos como mais solventes.
O prémio de risco de Itália também atingiu esta quarta feira um novo recorde ao situar-se nos 545 pontos básicos. Os juros da dívida italiana a dez anos ascendem a quase 6,7 por cento, e a bolsa de Milão perdeu 2,7 por cento esta manhã.
Ministro da Economia procura acalmar os mercados
O ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, tem procurado encontrar aliados nas principais capitais europeias para evitar, a todo o custo, a necessidade de recorrer a um programa geral de financiamento externo. Esta quarta feira Guindos reuniu-se com o seu homólogo francês, sendo que terça feira foi a vez de se encontrar com o ministro da economia alemão.
Num comunicado conjunto de Espanha e França, os responsáveis reafirmam o seu compromisso “de implementar pela e rapidamente as decisões tomadas pelo Conselho Europeu de 28 e 29 de junho”. “A nossa estratégia comum para a estabilidade da zona euro inclui a adoção, antes do fim do ano, de um mecanismo integral de supervisão para os bancos da zona euro que implique o BCE”, avançam.
“Este mecanismo de supervisão abrirá a via à recapitalizações diretas com condições apropriadas”, o que além de servir os interesses espanhóis, visto que extinguirá o risco financeiro do soberano.
Segundo Guindos e Pierre Moscovici, e tal como já defendera o representante alemão, o atual nível das taxas de juro "não reflete os fundamentos da economia espanhola, o seu potencial de crescimento e sustentabilidade da sua dívida pública." "A implementação inicial do programa de assistência financeira é essencial para restaurar a confiança e as condições para o crescimento", adiantaram, sublinhando que estão “confiantes de que esta será uma contribuição vital para a Espanha voltar ao caminho do crescimento sustentável".
Comissão Europeia já aprovou recapitalização da banca espanhola
A Comissão Europeia já aprovou o plano de recapitalização para a banca espanhola, o que constitui o último requisito para pôr em marcha o plano de financiamento até 100 mil milhões de euros às entidades financeiras com dificuldades e que inclui exigências ao Estado no sentido da redução do défice. O governo espanhol prevê receber os primeiros 30 milhões de euros do crédito já este mês.