Em declarações à rádio Cadena SER, o ministro da Economia espanhola, Luis de Guindos, admitiu esta segunda-feira que o défice público espanhol pode ter ultrapassado os 8 por cento no último ano, em grande parte devido a um maior desvio das contas públicas dos Governos regionais.
De Guindos insistiu que o Governo, que tomou posse em Dezembro, está a tomar as medidas oportunas para tirar Espanha da crise. “As reformas económicas são as que nos vão permitir sair da crise. O Governo tem uma agenda reformista muito agressiva para as próximas semanas e meses”, indicou.
Na sexta-feira passada, depois da segunda reunião do Conselho de Ministros do Governo de direita liderado por Mariano Rajoy - em que se aprovaram medidas de austeridade que representam poupanças de 8,9 mil milhões de euros - a porta-voz do executivo previu um défice de 8 por cento para 2011.
Entretanto, por seu turno, o ministro da Fazenda e Administração Pública espanhol também anunciou que o Governo aprovará na quinta-feira novas medidas urgentes para a “tapar a ferida” do défice público, embora não tenha avançado pormenores sobre o conteúdo das decisões.
Cristóbal Montoro, que falava durante a tomada de posse de três secretários Estado do Ministério que tutela, disse que as medidas mostraram “aos parceiros europeus e internacionais” que Espanha tem um Governo com iniciativa e capacidade de tomar decisões.
Comentando o aumento de impostos acordado no último Conselho de Ministros do ano, Montoro admitiu que se tratam de medidas difíceis de adotar mas necessárias para promover o crescimento económico. Com o aumento de impostos pede-se um esforço proporcional e temporário aos cidadãos, “uma tarefa difícil” mas que Montoro considera “ser possível”.
De qualquer modo, o Governo espanhol já aprovou novas garantias de 100 mil milhões de euros para a banca, um sector que não pode queixar-se de falta de atenção. Assim, a banca espanhola poderá continuar a receber as garantias do Estado para se financiar e lançar novas emissões de dívida, isto depois de Rajoy ter renovado a medida criada em 2008 pelo anterior Executivo.
Também em Espanha a austeridade chegou à rádio e televisão pública
Encerrar canais, vender direitos desportivos ou voltar a ter publicidade são algumas das hipóteses avançadas para enfrentar a diminuição de perto de 20 por cento no orçamento da RTVE, cortes equivalentes a 200 milhões de euros.
Num sistema de financiamento em que a publicidade foi retirada há um ano, uma das primeiras propostas a ser avançada pelos conselheiros da RTVE é mesmo o regresso da publicidade. Contudo, atualmente, o orçamento da empresa depende da subvenção estatal, da taxa audiovisual e da compensação paga pelos operadores de telecomunicações e pelos canais privados. Com publicidade, estas últimas compensações seriam retiradas.
Outras hipóteses passam pela venda de direitos de transmissão desportiva ou ainda pelo fim de um dos seus canais, segundo avança o El País. No seu modelo atual, a RTVE apresenta seis canais de televisão e cinco de rádio.