Escolha de Pizarro para a Saúde "não garante qualquer mudança

09 de setembro 2022 - 21:25

O dirigente socialista Manuel Pizarro, defensor do alargamento das PPP na Saúde, foi a escolha de António Costa para suceder a Marta Temido no Ministério. "Nada muda com a mesma política", reagiu Catarina Martins.

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Manuel Pizarro esta quarta-feira na Sessão de Abertura da Academia Socialista na Batalha. Foto José António Rodrigues/PS/Flickr

O eurodeputado do PS e antigo secretário de Estado da Saúde no último executivo de José Sócrates é o novo ministro da Saúde. "Pelo meu percurso enquanto médico, não podia recusar este convite para voltar a Portugal", afirmou Manuel Pizarro, por entre elogios à sua antecessora.

Nas redes sociais, a coordenadora do Bloco reagiu à nomeação de Pizarro: "A degradação do SNS levou à demissão da anterior ministra. A escolha do novo ministro não garante qualquer mudança. Salvar o SNS exige fixação de profissionais, mais investimento e menos vetos de gaveta. Nada muda com a mesma política", afirmou Catarina Martins.

Ministro foi defensor das PPP no debate da Lei de Bases da Saúde

Mesmo afastado das lides governativas desde 2011, Manuel Pizarro prosseguiu a sua intervenção pública na área da Saúde.

Em janeiro de 2019, quando se debatia a nova Lei de Bases da Saúde, era Alto-comissário da Convenção Nacional da Saúde e atacava a proposta do Bloco para acabar com as gestão privada dos hospitais públicos, afirmando que “a gestão privada dos hospitais já provou que funciona, deve continuar e até pode ser alargada”.

Médicos e enfermeiros exigem condições para trabalhar no SNS

Para a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), a escolha de Pizarro não é uma surpresa.  Independentemente de quem esteja ao leme do Ministério, sublinha João Proença, “se o primeiro-ministro diz que vai aplicar o programa do Governo, é evidente que o SNS vai acabar dentro de pouco tempo. Estamos perfeitamente exaustos, nós e os senhores enfermeiros", afirmou à Lusa o dirigente da FNAM.

Por seu lado, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) diz que Manuel Pizarro conhece bem o problema da "carência estrutural de enfermeiros em Portugal", que já existia quando foi governante. Quanto às prioridades, Guadalupe Simões defende que passam por "um plano de contratação de profissionais em função daquilo que são as necessidades das instituições” e "o início de negociações de valorização das carreiras, por forma a garantir a retenção desses profissionais”.

Com mais satisfação pelo perfil do escolhido reagiu o bastonário da Ordem dos Médicos.  Miguel Guimarães destacou o "peso político" de Pizarro à mesa do Conselho de Ministros para defender "aquilo que é a importância da Saúde para o país e conseguir mais alguma coisa com isso”. E diz que o primeiro grande desafio do ministro é o dos recursos humanos no SNS. "Se eu não tiver um número suficiente de médicos no SNS e os que estão trabalharem por dois ou três, é evidente que o sistema acaba por não funcionar como devia e tende a ficar cada vez pior”, disse Miguel Guimarães à Lusa.