As escolas têm cada vez menos condições de trabalho

15 de dezembro 2022 - 20:36

Na vigília de Lisboa da Frente Sindical de professores, Catarina Martins exigiu concursos de colocação justos, apoio às deslocações dos professores colocados longe de casa, desbloqueamento de salários e progressões na carreira.

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Catarina Martins na vigília dos professores esta quinta-feira.

Esta quinta-feira ao fim da tarde ocorreram várias vigílias de protesto na Grande Lisboa organizadas pela frente sindical que congrega oito organizações. Foi o culminar de quatro dias destes protestos que foram ocorrendo, de forma rotativa, em vários pontos do país.

Presente na concentração de Lisboa, Catarina Martins demonstrou apoio à luta dos docentes porque "sem os professores não há escola, não há qualificação, não há desenvolvimento". A coordenadora do Bloco considera que "neste momento é muito difícil o trabalho dos professores" e prova disso é que "os jovens não querem ser professores", o que acaba por agravar o problema. Catarina Martins realçou que "vamos ter em janeiro o maior número de sempre de professores a reformarem-se desde os tempos da troika. o que quer dizer que a falta de professores se vai sentir ainda mais".

Para além disso, "as escolas têm cada vez menos condições de trabalho" e "toda a gente neste país, quem tem um filho ou uma filha, um neto ou uma neta na escola, sabe como é preciso condições para que possam trabalhar".

Questionada sobre que medidas o partido defende para resolver a situação dos docentes, a dirigente bloquista referiu medidas como "concursos de colocação justos, apoio às deslocações dos professores quando se têm deslocar para ir dar aulas onde não há professores, que os salários e as carreiras progredissem. porque neste momento há formas de fazer com que mesmo professores com ótimas avaliações nunca consigam progredir na carreira, estão sempre na mesma".

Para Catarina Martins, "não podemos pedir às pessoas de que precisamos para o país se desenvolver que trabalhem sempre e que mesmo quando são excelentes não possam ver o seu salário aumentar, isto é inaceitável".

Sem avanços nas negociações, sindicatos vão avançar para a greve

As vigílias de protesto dos professores desta semana foram promovidas pela frente sindical que juntou a ASPL – Associação Sindical de Professores Licenciados, a FENPROF – Federação Nacional dos Professores, a Pró-Ordem, o SEPLEU- Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados, o SINAPE – Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação, o SINDEP – Sindicato Nacional e Democratico dos Professores, o  SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores e o SPLIU – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades.

Os sindicatos ameaçam convocar uma greve de 18 dias, por distritos, para janeiro, caso  até ao dia 10 do próximo mês o ministro da Educação, João Costa, não recue em algumas das propostas que apresentou no âmbito da negociação da revisão do modelo de recrutamento e mobilidade, e se recusar a iniciar novos processos negociais sobre outros temas. “Se, no final, continuarmos a ter os mesmos problemas por resolver, haverá uma segunda volta”, que se poderá repetir “enquanto se achar necessário”, afirmou o secretário-geral da Fenprof Mário Nogueira, citado pela agência Lusa.

Também esta semana, o Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.) promoveu uma greve nas escolas e já entregou um pré-aviso para todo o mês de janeiro. Este sábado promove uma manifestação no Marquês de Pombal, onde os presentes decidirão se querem avançar para o prolongamento da greve no próximo mês.