Escócia aprova segundo referendo, Londres bloqueia

29 de março 2017 - 11:14

Apesar do bloqueio esperado de Londres, Nicola Sturgeon não desarma, declarando hoje no parlamento escocês que se esse for de facto a decisão, após as férias da Páscoa irá “definir os passos necessários a dar por parte do governo escocês para dar sequência à vontade do parlamento”.

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Primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, por Robert Perry, EPA/Lusa
Primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, por Robert Perry, EPA/Lusa

O Parlamento escocês aprovou a realiazação de um segundo referendo pela independência do Reino Unido. A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, que lidera a maioria relativa do Scottish National Party com 63 dos 129 deputados, ganhou o apoio dos Verdes, o que lhe permitiu ganhar por dez votos favoráveis contra toda a oposição. 

No entanto, o parlamento escocês não tem autonomia para convocar um referendo sem autorização do parlamento britânico, em Westminster. E tudo indica para que o governo britânico bloqueie formalmente a hipótese de um segundo referendo. Não é difícil perceber porquê.

O Brexit, cujo processo será formalmente lançado esta quarta-feira, arriscava-se a ser acompanhado por outro complicado processo político de cisão o próprio Reino Unido. Um cenário que Theresa May, primeira-ministra britânica, quer evitar a todo o custo. David Mundell, ministro do governo britânico com a pasta da Escócia, recorre ao argumento da oportunidade política, considerando que um referendo sobre independência só deveria ser realizado após o Brexit, precisamente o cenário que Nicola Sturgeon rejeita. Também David Davis, o ministro do governo britânico encarregue do Brexit, acusa Sturgeon de lançar um referendo sem conhecer os detalhes da saída da UE, acusação que Sturgeon rejeita respondendo que Theresa May lhe terá dado um calendário específico, com o processo a terminar em março de 2019. 

Para o SNP, o argumento central que valida este novo referendo é a rejeição maioritária do eleitorado escocês à saída do Reino Unido da União Europeia, em contra-ciclo com o resto do Reino. O movimento nacionalista solidificou a sua distância em relação a Londres através da União Europeia, da qual pretende continuar a fazer parte, o que será mais um processo de navegação política difícil. Em Londres, o governo insiste que o Brexit aplica-se a todo o Reino Unido, rejeitando as exigências de uma exceção para a Escócia que lhe permitisse manter-se na UE. 

Apesar do bloqueio esperado de Londres, Nicola Sturgeon não desarma, declarando hoje no parlamento escocês que se esse for de facto a decisão, após as férias da Páscoa irá “definir os passos necessários a dar por parte do governo escocês para dar sequência à vontade do parlamento”.