Escócia convoca segundo referendo pela independência do Reino Unido

13 de março 2017 - 14:01

Segundo a legislação britânica, o parlamento do Reino Unido tem de aprovar um referendo desta natureza, o que significa que, caso Theresa May esteja disposta a abrir um conflito político com Nicola Sturgeon, o referendo pode ser bloqueado.

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Scotland in Europe, por Geoffrey van der Hasselt, POOL EPA/Lusa
Scotland in Europe, por Geoffrey van der Hasselt, POOL EPA/Lusa

Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, anunciou hoje um segundo referendo sobre a independência do Reino Unido.

O anúncio surge no mesmo momento em que o parlamento britânico em Westminster se preparava para aprovar oficialmente o início do Brexit, autorizando Theresa May a ativar o Artigo 50 do Tratado da União Europeia.

Na conferência de imprensa, Nicola Sturgeon declarou que o governo britânico não tinha mostrado qualquer abertura para um "compromisso e acordo" com o governo escocês sobre o Brexit, e que mesmo um bom acordo seria "significativamente inferior" ao status quo.

"Se a Escócia pode ser ignorada num assunto tão importante como a União Europeia e o mercado único então é claro que a nossa voz pode ser ignorada a qualquer momento e sobre qualquer assunto", disse.
O referendo deverá ser marcado antes do Brexit ser oficial, mas não antes de "os teros do Brexit serem conhecidos", o que aponta para que se realize entre o outuno de 2018 e a primavera de 2019.

Segundo a legislação britânica, o parlamento do Reino Unido tem de aprovar um referendo desta natureza, o que significa que, caso Theresa May esteja disposta a abrir um conflito político com Nicola Sturgeon, o referendo pode ser bloqueado.

Para a primeira-ministra escocesa, "a opção de não haver mudanças já não está disponível. Mas iremos dar ao povo escocês a opção sobre que mudança querem."

E acrescentou, "acredito que seria errado para a Escócia ser levada por um caminho sobre o qual não tem qualquer controlo independentemente das consequências para a nossa economia, para a nossa sociedade, para o nosso lugar no mundo, para a nossa ideia de comunidade e país. Isso seria errado, e por isso a minha decisão é que deveríamos ter uma escolha."

O SNP, partido de Sturgeon, ganhou as últimas legislativas da Escócia com um manifesto eleitoral onde explicitamente defendia um novo referendo para a independência caso fossem obrigados a sair da União Europeia "contra a nossa vontade".

A Escócia votou maioritariamente a favor de permanecer na União Europeia, com 62% dos votos.
O primeiro referendo sobre a independência realizou-se em setembro de 2014, com a vitória dos unionistas com 55% contra 45%.