Escândalo na Academia Sueca cancela Nobel da Literatura

04 de maio 2018 - 11:26

O Prémio Nobel da Literatura não será atribuído este ano. A decisão foi anunciada na sequência da guerra interna entre os membros da Academia envolvida em escândalos de favorecimento e abuso sexual.

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Edifício da Academia Sueca. Foto Francisco Anzola/Flickr

O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira: em 2018 não haverá vencedor do Prémio Nobel da Literatura e no próximo ano o prémio será atribuído a duas personalidades. Até lá, as regras de funcionamento da Academia Sueca – um pequeno grupo de elite nomeado de forma perpétua – serão mudadas, após o escândalo que envolve alguns dos seus membros e está na origem da convulsão interna.

As acusações de assédio sexual e violação contra o fotógrafo francês Jean-Claude Arnault, marido de Katarina Frostenson, poeta e membro da Academia, eram conhecidas da Academia desde 1996, mas a denúncia entregue na altura por uma jovem artista ficou enterrada nos seus arquivos. Foi apenas no fim do ano passado, na sequência do escândalo do produtor de Hollywood Harvey Weinstein, que outras 18 mulheres tornaram públicas as suas queixas contra Arnault, que gere em conjunto com a mulher uma instituição ligada às artes financiada pela Academia.

As denúncias provocaram mal estar na Academia, e foram seguidas por outras denúncias que apontavam Arnault como o autor da divulgação antecipada dos nomes de vencedores em sete ocasiões. Num desses casos, uma das maiores casas de apostas britânica teve mesmo de suspender as apostas no vencedor do Nobel da Literatura, devido ao montante suspeito de apostas no nome que viria a ser laureado.

À pressão para a demissão de Katarina Frostenson juntou-se a vontade por parte de alguns membros da fação apontada como “conservadora” para afastarem outra mulher da Academia, a recém-escolhida Secretária Permanente Sara Danius, ensaísta e crítica literária, que apostava na modernização desta instituição marcadamente patriarcal e elitista.

A polémica resultou na demissão das duas mulheres e a Academia ficou apenas com 10 membros em atividade. Agora, diz em comunicado, irá passar o resto do ano a rever os seus estatutos. A última vez que a Academia não divulgou o nome vencedor do Nobel da Literatura foi em 1949.

A Fundação Nobel também veio reagir a este anúncio, afirmando que a decisão da Academia Sueca não irá interferir com os restantes Prémios, que são atribuídos por outras entidades, e deixou o apelo para que os membros que sobram em funções mostrem “maior abertura ao mundo exterior” e assim possam reaver a credibilidade perdida.