Erdogan limita acesso às redes sociais para silenciar críticas à resposta ao sismo

08 de fevereiro 2023 - 18:30

Após o sismo que fez mais de nove mil mortes no país, o regime turco restringiu o acesso ao Twitter e prendeu mais de dez pessoas que criticaram a resposta do governo à catástrofe.

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Presidente turco Recep Tayyip Erdogan esta terça-feira. Foto da presidência da Turquia.

O forte sismo que atingiu a Turquia e a Síria provocou pelo menos 11.700 mortos nos dois países, segundo os números confirmados esta quarta-feira. Em visita à província de Hatay, perto do epicentro do sismo, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan confirmou que as vítimas mortais no país ascendem já a mais de nove mil e atacou os que criticaram a resposta do governo à catástrofe.

"Este é o tempo da unidade e solidariedade. Numa altura destas, não tenho paciência para as pessoas que levam a cabo campanhas negativas para tirarem proveito político", afirmou Erdogan, citado pela Reuters. E a repressão das críticas não demorou, com a polícia turca a anunciar a identificação de 202 pessoas, a detenção de 18 e a prisão de outras cinco desde segunda-feira por publicarem "posts provocadores" nas redes sociais.

Segundo o portal Netblocks, que monitoriza as limitações no acesso á internet, boa parte da população ficou sem acesso ao Twitter, com os bloqueios aplicados às várias operadoras de internet. Segundo o portal, esta é uma prática habitual do regime em situações de emergência e que afeta negativamente as comunidades que se apoiam na informação transmitida ao minuto, incluindo nos esforços de resgate.

"A restrição do governo ao acesso ao Twitter deve acabar imediatamente. O Twitter teve um papel crucial na organização dos socorros aos afetados pelo sismo. Bloquear e censurar as redes sociais numa altura destas só irá causar mais mortes", afirmou o partido da esquerda HDP.

No Parlamento Europeu, o grupo da Esquerda promoveu esta quarta-feira uma sessão com o representante do HDP na Europa, que reclamou uma ajuda rápida e efetvca por parte da UE às pessoas que perderam as casas e ficaram sem nada. Na terça-feira, o partido - que tem apoio maioritário nas regiões com população de origem curda - anunciou a suspensão das atividades políticas para se dedicar em exclusivo à organização e apoio das ações de socorro. E lançou um apelo à solidariedade internacional para mobilizar recursos para a reconstrução das comunidades devastadas pela tragédia.

"A resposta da UE tem que ser solidária, rápida, efetiva e chegar a todos. Mas também é preciso garantir que nem Erdogan, nem Assad instrumentalizem a tragédia para atacar ainda mais as comunidades curdas e retirar-lhes ainda mais autonomia e direitos", afirmou a eurodeputada Marisa Matias, que participou na sessão com a presença de Devriş Çimen.