Equador rompe tratado com EUA após ameaças de Washington

28 de junho 2013 - 12:52

O presidente Rafael Correia denunciou quinta-feira um tratado comercial com os EUA e ofereceu 23 milhões de dólares para formação em direitos humanos nos Estados Unidos. É a resposta às ameaças ao país que acolhe Assange na embaixada londrina e já mostrou abertura para receber Edward Snowden, que continua em Moscovo.

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Edward Snowden continua retido em Moscovo, enquanto a guerra diplomática se desenvolve quanto ao seu asilo político.

A situação do ex-perito informático da CIA mantém-se inalterada. Snowden continua na zona de trânsito do aeroporto internacional de Moscovo e o pedido de asilo político ainda não teve resposta porque a lei do Equador exige que o peticionário se encontre em território nacional.

Mas os Estados Unidos ameaçaram de imediato o governo do Equador, pedindo a entrega de Snowden mal chegue ao país. "O Equador não aceita pressões ou ameaças de ninguém, e não comercializa com os princípios nem os submete a interesses mercantis, por mais importantes que estes sejam", afirmou o Governo numa nota enviada à imprensa. O tratado em causa dá benefícios nas taxas alfandegárias de alguns setores exportadores do Equador para os EUA, em troca da colaboração do país na "guerra às drogas" promovida por Washington na região. "A nossa dignidade não tem preço", declarou o presidente Rafael Correa.

"Nós agradeceríamos se, com a mesma urgência que se exige a entrega do Sr. Snowden (...), entregassem muitos fugitivos equatorianos refugiados nos Estados Unidos, especialmente os banqueiros corruptos que, conscientemente, quebraram o país em 1999, cujas extradições têm sido repetidamente negadas" por Washington, sublinha o comunicado publicado no portal El Ciudadano.

Mas o Equador foi mais longe e disse que vai oferecer a mesma quantia que perde com o fim deste tratado - cerca de 23 milhões de euros -  em assistência financeira aos EUA, "a fim de proporcionar a capacitação em direitos humanos que contribua para evitar ataques contra a privacidade das pessoas, tortura, execuções extrajudiciais e outros atos prejudiciais à Humanidade". "Entendemos a existência de mecanismos de luta contra o terrorismo, mas não podemos admitir que neste empenho os direitos humanos e a soberania dos povos sejam atropelados", declarou o governo.

O presidente da Venezuela, que se desloca a Moscovo na próxima segunda-feira para participar do Fórum de Países Exportadores de Gás, já felicitou Rafael Correa "pela coragem que demonstrou ao renunciar às tarifas aduaneiras preferenciais dos Estados Unidos que ameaçaram cortá-las caso concedesse asilo a Snowden".