Em entrevista à RTP2, a coordenadora bloquista esclareceu que o Governo “pode sempre contar com o Bloco para uma política que seja contracíclica, ou seja, em que o Estado tenha força para contrariar a crise”.
“E aí estamos a falar de uma segunda fase, da recuperação, aquela em que o investimento público vai ser essencial para que a economia possa recuperar”, explicou, acrescentando que o executivo “também conta com o apoio do Bloco já, para defender o emprego, salários e políticas sociais”.
“É uma urgência neste momento”, frisou Catarina Martins, lembrando que há milhares de pessoas que estão a perder o seu emprego, a perder rendimento, sem acesso a apoios sociais.
De acordo com a dirigente do Bloco, são necessárias “regras de economia que tornem o nosso país mais robusto, porque mais justo. E com uma melhor distribuição da riqueza que a economia cria e dos esforços que têm de ser feitos”.
“Esse é um dos grandes problemas. Há poucas regras para as empresas e para a banca, ainda que protejam o emprego e o salário”, assinalou.
Catarina Martins fez referência ao apelo da CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários - no sentido da não distribuição de dividendos aos acionistas em tempo de crise pandémica, inclusive para que não se contribua para a descapitalização das empresas.
A coordenadora do Bloco vai mais longe, enfatizando que não faz qualquer sentido que empresas que despedem trabalhadores distribuam dividendos, como é o caso da Galp, que despediu 80 trabalhadores da refinaria Sines.
Sinalizando que, em 2019, foram distribuídos quase 2 mil milhões de lucros aos acionistas, Catarina Martins repudiou o facto de as grandes empresas se estarem a preparar “para fazer a mesma coisa mesmo com a crise que estamos a viver”.
E, sobre essa matéria, fez referência aos 700 milhões de euros que a EDP pretende distribuir, e que são superiores aos lucros arrecadados, e ao caso dos CTT que, enquanto não cumpria nenhum dos indicadores de serviços públicos de comunicações, distribuiu dividendos pelos seus acionistas.
A coordenadora bloquista denuncia a “enorme ganância acionista de ter já o lucro” por parte de quem não está preocupado com o dia seguinte, o se traduzirá num “problema económico que vai pesar ao país”. Catarina Martins reforçou que não é compreensível que estejamos a falar nas dificuldades das empresas quando assistimos a esta distribuição de dividendos que vai condicionar a sua recuperação e, provavelmente, levá-las a pedir apoio público mais tarde.
O que é necessário, defendeu, é “proteger o emprego e garantir o apoio às micro e pequenas empresas, que são 96% das empresas portuguesas e boa parte do emprego nacional”. Assim como é preciso criar “regras à banca para que, entre as comissões e os spreads, não comam o apoio à economia e à promoção do emprego”.