Enfermeiros: Greve de dois dias em Viana do Castelo teve adesão de 75%

30 de agosto 2014 - 13:05

Depois da greve nos hospitais de Lisboa Central realizada na passada terça-feira com uma adesão superior a 80%, a greve de dois dias em Viana do Castelo de enfermeiras e enfermeiros teve adesão superior a 75%. Segundo o sindicato, a paralisação refletiu o “descontentamento”, a falta de profissionais de enfermagem e a sobrecarga de horários.

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Concentração de enfermeiras e enfermeiros no Hospital de S. José em Lisboa, na passada terça-feira, 26 de agosto – Foto de Manuel de Almeida/Lusa

“Foi uma excelente adesão tendo em conta os objetivos destes dois dias de greve que era alertar a população para a falta de condições de trabalho destes profissionais de saúde. As pessoas ficaram alertadas para a diminuição do número de enfermeiros por turnos e nos serviços e equipas do hospital”, declarou à Lusa Guadalupe Simões da direção nacional do sindicato dos enfermeiros portugueses (SEP).

A paralisação foi convocada para a unidade local de saúde do Alto Minho (ULSAM), que engloba os hospitais de Viana do Castelo e de Ponte de Lima e 13 centros de saúde.

Guadalupe Simões disse à Lusa que na ULSAM no segundo dia se verificou uma adesão de 78% no global dos três turnos. Nos centros de saúde de Viana do Castelo e Monção houve adesão de 100% e no de Vila Nova de Cerveira "apenas um enfermeiro foi trabalhar".

A dirigente sindical diz que a ULSAM tem atualmente 804 enfermeiros, quando “deveria dispor de 1.200” e aponta que a “extrema carência” de enfermeiros na ULSAM decorre da “posição do conselho de administração que não faz contratos de substituição dos enfermeiros aposentados e da política do Governo que não autoriza a contratação de pessoal”.

Greve no centro hospitalar Lisboa Central teve adesão superior a 80%

O centro hospitalar Lisboa Central (CHLC) envolve seis hospitais: São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, Maternidade Alfredo da Costa e D. Estefânia. O SEP diz que no CHLC faltam 400 enfermeiros. Na greve realizada na passada terça-feira, 26 de agosto, a adesão foi superior a 80%.

“Esta adesão superior a 80% corresponde às nossas expectativas, foi o que ouvimos dos enfermeiros: um enorme descontentamento, uma enorme vontade de aderir à greve e participar na concentração”, disse à Lusa Isabel Barbosa, dirigente do SEP.

Uma concentração realizada no Hospital de São José juntou mais de meia centena de enfermeiras e enfermeiros que empunharam cartazes com frases como “Menos enfermeiros, menos cuidados” ou “não à destruição do SNS” e gritaram palavras de ordem como “Macedo escuta, os enfermeiros estão em luta” e “a saúde é um direito, sem ela nada feito”.

A paralisação teve uma adesão de 82% em S. José, mais de 78% no hospital Dona Estefânia, 79% no hospital de Santa Marta e na maternidade Alfredo da Costa, 86% no Curry Cabral e 92% no hospital dos Capuchos.

Isabel Barbosa realçou à Lusa: “Os enfermeiros não aguentam mais, precisam de tempos de descanso adequados, quer para a saúde deles próprios quer para a qualidade dos próprios cuidados prestados aos utentes. Portanto esta é uma greve não só para defender os direitos dos enfermeiros, mas para defender os utentes e o SNS.

Os dados da OCDE indicam que, em 2011, existiam em Portugal 6,1 enfermeiros por cada 1000 habitantes, sendo que a média dos países desta organização é de 8,8. E o rácio de enfermeiros por médico era em média naqueles países de 2,8 e em Portugal de 1,5.

Os protestos de enfermeiras e enfermeiros contra a exaustão com que se confrontam refletem esta falta de pessoal de enfermagem, agravada pelos cortes ao SNS e pela política de não admissão de pessoal do atual governo PSD/CDS.