“Foi uma excelente adesão tendo em conta os objetivos destes dois dias de greve que era alertar a população para a falta de condições de trabalho destes profissionais de saúde. As pessoas ficaram alertadas para a diminuição do número de enfermeiros por turnos e nos serviços e equipas do hospital”, declarou à Lusa Guadalupe Simões da direção nacional do sindicato dos enfermeiros portugueses (SEP).
A paralisação foi convocada para a unidade local de saúde do Alto Minho (ULSAM), que engloba os hospitais de Viana do Castelo e de Ponte de Lima e 13 centros de saúde.
Guadalupe Simões disse à Lusa que na ULSAM no segundo dia se verificou uma adesão de 78% no global dos três turnos. Nos centros de saúde de Viana do Castelo e Monção houve adesão de 100% e no de Vila Nova de Cerveira "apenas um enfermeiro foi trabalhar".
A dirigente sindical diz que a ULSAM tem atualmente 804 enfermeiros, quando “deveria dispor de 1.200” e aponta que a “extrema carência” de enfermeiros na ULSAM decorre da “posição do conselho de administração que não faz contratos de substituição dos enfermeiros aposentados e da política do Governo que não autoriza a contratação de pessoal”.
Greve no centro hospitalar Lisboa Central teve adesão superior a 80%
O centro hospitalar Lisboa Central (CHLC) envolve seis hospitais: São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, Maternidade Alfredo da Costa e D. Estefânia. O SEP diz que no CHLC faltam 400 enfermeiros. Na greve realizada na passada terça-feira, 26 de agosto, a adesão foi superior a 80%.
“Esta adesão superior a 80% corresponde às nossas expectativas, foi o que ouvimos dos enfermeiros: um enorme descontentamento, uma enorme vontade de aderir à greve e participar na concentração”, disse à Lusa Isabel Barbosa, dirigente do SEP.
Uma concentração realizada no Hospital de São José juntou mais de meia centena de enfermeiras e enfermeiros que empunharam cartazes com frases como “Menos enfermeiros, menos cuidados” ou “não à destruição do SNS” e gritaram palavras de ordem como “Macedo escuta, os enfermeiros estão em luta” e “a saúde é um direito, sem ela nada feito”.
A paralisação teve uma adesão de 82% em S. José, mais de 78% no hospital Dona Estefânia, 79% no hospital de Santa Marta e na maternidade Alfredo da Costa, 86% no Curry Cabral e 92% no hospital dos Capuchos.
Isabel Barbosa realçou à Lusa: “Os enfermeiros não aguentam mais, precisam de tempos de descanso adequados, quer para a saúde deles próprios quer para a qualidade dos próprios cuidados prestados aos utentes. Portanto esta é uma greve não só para defender os direitos dos enfermeiros, mas para defender os utentes e o SNS.
Os dados da OCDE indicam que, em 2011, existiam em Portugal 6,1 enfermeiros por cada 1000 habitantes, sendo que a média dos países desta organização é de 8,8. E o rácio de enfermeiros por médico era em média naqueles países de 2,8 e em Portugal de 1,5.
Os protestos de enfermeiras e enfermeiros contra a exaustão com que se confrontam refletem esta falta de pessoal de enfermagem, agravada pelos cortes ao SNS e pela política de não admissão de pessoal do atual governo PSD/CDS.