Os atrasos na entrega e os problemas detectados nas viaturas testadas pelo exército são os motivos apontados pelo secretário de Estado da Defesa para parar um negócio marcado desde o início pela polémica.
"A relação contratual com a Styer tem sido marcada por alguns incumprimentos por parte do fornecedor. O Estado português, na defesa dos interesses do país, usará todas as prerrogativas, quer contratuais, quer legais, para chegar a um objectivo, que é a defesa dos interesses nacionais", afirmou Marcos Perestrello aos jornalistas, admitindo que a rescisão do contrato é uma das possibilidades previstas.
"Convém ter a noção de que quem está em incumprimento não é o Estado português. O Estado português tem cumprido as suas obrigações e aquilo que espera é da parte dos fornecedores que sejam também capazes de cumprir as suas. Não havendo cumprimento por parte dos fornecedores, o Estado naturalmente utiliza todos os instrumentos ao seu dispor", disse ainda o secretário de Estado, citado pela agência Lusa.
A encomenda dos blindados para Exército português ficou marcada pela polémica logo no concurso, com Paulo Portas a decidir-se pelo modelo da Steyr, quando a comissão técnica aconselhava o modelo suíço fabricado pela Mowag. As viaturas Pandur, para além de serem um modelo novo, chumbaram nos testes operacionais da comissão. Mas foram classificados em primeiro lugar por custarem menos 12 milhões de euros que a concorrência - num negócio de 364 milhões.
Paulo Portas defendeu o negócio com a Steyr em nome das contrapartidas negociadas que permitiam, segundo o então ministro da Defesa, salvar o emprego na fábrica Bombardier na Amadora. "No local exacto onde morreu uma fábrica, e com que dor social, vai nascer outra fábrica, onde boa parte destas viaturas vão ser fabricadas", anunciou Paulo Portas em Dezembro de 2004.
Por entre atrasos e defeitos de fabrico nunca resolvidos, só em 2007 começaram a ser montados os blindados, mas na Fabrequipa, uma fábrica no Barreiro, e sem quaisquer ex-trabalhadores da Bombardier ao serviço. Hoje a Fabrequipa dá emprego a 250 pessoas e o fim do contrato põe em risco os postos de trabalho. Para Marcos Perestrello, o responsável "não é o Estado português mas o incumprimento do fornecedor."
Encomenda dos blindados pode recuar
04 de agosto 2010 - 17:50
A 20 dias do fim do prazo de entrega dos 260 blindados Pandur, encomendados por Paulo Portas em 2004 num contrato de 364 milhões de euros, o governo admite rescindi-lo por incumprimento.
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Os atrasos na entrega e os problemas detectados nas viaturas testadas pelo exército são os motivos apontados para o incumprimento.