Está aqui

Encomenda de carros de luxo pela TAP é “insulto” ao país

Pedro Filipe Soares critica a decisão afirmando que “quando tivemos milhares de milhões de euros de dinheiros públicos que foram usados para salvar a TAP por ser estratégica para o país não faz sentido que o dinheiro público seja usado com decisões que são incompreensíveis”.
Avião da TAP. Foto de Markus Eigenheer/Flickr.
Avião da TAP. Foto de Markus Eigenheer/Flickr.

Pedro Filipe Soares declarou esta quarta-feira que a encomenda de carros de luxo para administradores e diretores da TAP é “um insulto que a administração da TAP fez ao país”, acrescentando que “da parte do Governo, que é quem representa o Estado junto da TAP, porque é o representante do acionista deveria merecer um enorme reparo”.

As declarações do líder do Grupo Parlamentar bloquista surgem na sequência da notícia da CNN Portugal que revelava que a administração da companhia aérea nacional tinha decidido renovar a frota automóvel através de um contrato com a BMW envolvendo carros com um valor de mercado a partir dos 52 e dos 65 mil euros. Para o deputado bloquista, “quando tivemos milhares de milhões de euros de dinheiros públicos que foram usados para salvar a TAP por ser estratégica para o país, e nós consideramos que é estratégica para o país, não faz sentido que o dinheiro público seja usado com decisões que são incompreensíveis como essa”.

As críticas do Bloco ao governo não ficam por aqui e Pedro Filipe Soares defende que “também é um insulto ao país a ideia do Governo de injetar milhares de milhões de euros na TAP no ano passado, há dois anos, e agora dizer que ela está disponível para ser privatizada”, o que “não é compreensível porque se ela era estratégica no passado, é estratégica no presente e será estratégica no futuro, tem é que ser salvaguardado o interesse público”.

Ao longo do dia, e depois do próprio presidente da República ter indicado sobre o caso que havia “um problema de bom-senso” e dito que devia “fazer-se um esforço para dar o exemplo de contenção", a empresa veio alegar que a decisão permitiria afinal uma poupança de 630 mil euros anuais face ao regime de aluguer atual e que a solução encontrada deriva de um concurso. As justificação não convencem os sindicatos.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil retorquiu que se empresa quiser seguir “a mesma lógica do gastar-mais, para poupar” nesta “altura tão sensível” deveria repor “a dignidade aos trabalhadores”. No mesmo comunicado as contas da administração da TAP são consideradas ironicamente como “uma miraculosa poupança”.

Por sua vez o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil ressalvou que a decisão é “moralmente condenável”, sublinhando que é igualmente “inaceitável” que “além da administração da TAP, a tutela esteja também constantemente a apelar ao esforço dos seus colaboradores para a sobrevivência da companhia e venham a público notícias de 'pequenos luxos', de forma cíclica”. Também o SNPVAC optou pela ironia para rematar o seu argumento escrevendo que “esta decisão, que envolve milhões, de renovação da frota automóvel por parte da administração, só pode trazer boas notícias” porque “pressupõe a disponibilidade para aumentar os ordenados dos tripulantes, acompanhando a subida da inflação”.

Termos relacionados Política
(...)