Em véspera de Marcha Nacional, as mobilizações de professores não param

13 de janeiro 2023 - 14:07

De norte a sul do país, milhares de professores mas também trabalhadores não docentes, pais e alunos participam em protestos. Conhece aqui um mapa da luta que atravessa Portugal.

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Protesto na Escola Básica António Correia de Oliveira. Pormenor de um foto publicada no Facebook do Stop.

A Marcha pela Escola Pública acontece este sábado à tarde em Lisboa, prometendo ser ponto de confluência dos numerosos protestos de professores que se têm vindo a espalhar um pouco por todo o país com greves, concentrações, desfiles, vigílias, abaixo-assinados, entre outras formas de luta. A eles se têm juntado também os trabalhadores não docentes das escolas, já que a greve por tempo indeterminado, convocada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação, também os abrange.

Outros oito sindicatos, ASPL, FENPROF, PRÓ-ORDEM, SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU, iniciam na segunda-feira uma sequência de greves por distrito e têm marcada também uma manifestação nacional para dia 11 de fevereiro.

Acreditando na necessidade de conjugar lutas, um grupo de professores de todo o país e pertencentes a várias organizações sindicais lançou o apelo “Unidos somos imparáveis” para que os sindicatos se entendam e juntem forças nas duas manifestações e nos vários processos de luta. O texto está disponível para ser assinado online.

Professores a lutar também estão a ensinar”

Entretanto, somam-se as notícias das diversas formas de luta nas escolas. Depois de uma primeira ronda por vários órgãos de comunicação social, o Esquerda.net voltou a recolher alguma da informação disponível do que se tem passado nos últimos dois dias.

Do Algarve, chega a notícia de greves em Faro e de uma manifestação em Olhão transmitida pelo Sul Informação. Nesta, na Rotunda do Cubo, também participaram alunos e outros cidadãos. Um dos professores presentes, Luís Mota Pinto, sintetizou o sentimentos dos colegas: “esta é a luta de uma classe que está a dizer que chega e que, se isto não mudar, qualquer dia não há professores”.

Os professores da EB 2,3 Joaquim Magalhães, de Faro, estrearam-se nas manifestações neste mais recente processo de greve na terça-feira, dia em que também fizeram uma concentração em frente a escola. Dizem-se, nas palavras de Elsa Correia, “cansados” porque “não são ouvidos”.

O Jornal do Algarve reportava a greve dos professores na Escola D. José I, em Vila Real de Santo António, na quinta-feira, dando conta que estes fixaram nos cartazes várias das suas razões: “Professores a lutar também estão a ensinar”, “Por amor à educação”, “Pelo fim das quotas e das vagas no progresso da carreira”, “Pela alteração do modelo de recrutamento e seleção de professores”, “Por melhores condições de trabalho”, “Por um regime específico de aposentação” e “Por uma gestão democrática das escolas”. Dois dias antes, A Voz do Algarve noticiava a greve aos primeiros tempos e concentração à porta da escola dos docentes a EB1 de Almancil.

Na manhã desta sexta-feira, a CNN Portugal reportava uma marcha juntando três agrupamentos em Portimão o que confluíram numa marcha de vários quilómetros com “centenas” de pessoas.

No distrito de Setúbal, o Setúbalense dá conta que a Escola Secundária de Palmela se encontra encerrada há uma semana e que nesta quinta-feira houve uma marcha lenta que culminou na Câmara Municipal num processo que está a unir professores, funcionários e alunos. Dois dias antes, a Escola Dom Manuel Martins, em Setúbal, também tinha sido palco de união entre a comunidade educativa na ação em que usou o negro para demonstrar “sentimento de injustiça generalizado” que faz com que a escola “perca a vocação científica e cultural em benefício da burocratização”. Esta também estava encerrada há vários dias segundo aquele órgão de comunicação social. Na Secundária Lima de Freitas, também em Setúbal, na quinta-feira a escola parou para um plenário que juntou 120 professores e funcionários. O mesmo jornal voltou já esta sexta-feira a este assunto para noticiar um novo plenário na Escola Dom Manuel Martins.

A CNN Portugal avança com a notícia de um cordão humano no Agrupamento de Escolas da Ordem de Sant’Iago, também em Setúbal, esta sexta-feira, com manifestações “todas as manhãs desde 9 de dezembro”.

Na Amora, na quinta-feira, diz o Diário do Distrito, realizou-se um cordão humano de professores e assistentes operacionais das sete escolas do agrupamento que foi decidida num plenário realizado na semana passada.

Em Almada, na quarta-feira, de acordo com o Almadense, aconteceu uma manifestação com 300 pessoas na Praça São João Baptista para exigir “melhores condições nas escolas” do concelho e “melhorias nas carreiras dos professores e dos assistentes operacionais”. Para além disso, “várias escolas do concelho de Almada estiveram encerradas e em algumas delas houve protestos à porta”.

Já esta sexta-feira, mostra o Correio da Manhã, os professores da Escola Secundária Poeta Joaquim Serra, no Montijo, paralisaram a escola para um plenário, contando com apoio dos alunos. E o mesmo órgão de comunicação social mostra a mobilização na Escola Frei André da Veiga em Santiago do Cacém com greve de professores e trabalhadores não docentes, para além da presença solidária de pais.

No Alentejo, escreve o Linhas de Elvas, os professores de Campo Maior concentram-se esta sexta-feira em frente à Escola Secundária para exigir “respeito” e “dignidade”.

400 professores e auxiliares nmanifestaram-se em Santarém

A Rede Regional destacava na quinta-feira que esta greve teve “forte impacto” em Santarém com encerramentos da EB 2,3 D. João II, do Centro Escolar Salgueiro Maia e da maioria das 16 escolas do 1º ciclo e pré-escolar nas freguesias do concelho, pertencentes ao Agrupamento de Escolas Sá da Bandeira. Já no Agrupamento Ginestal Machado “a grande maioria dos professores” da sede “optou por fazer greve durante o dia inteiro, o que deixou centenas de alunos sem aulas” e não houve aulas nas escolas dos Leões e do Pereiro. Na EB 2,3 Alexandre Herculano muitos professores fizeram greve e deste agrupamento fecharam as escolas do Mergulhão e de São Domingos. Todas estas lutas se juntaram na manhã desse dia, somando “cerca de 350 a 400 profissionais da educação, entre professores e auxiliares de educação” na rotunda do Largo Cândido dos Reis.

No mesmo distrito, os professores do agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva, de Rio Maior, manifestaram-se por melhores condições de trabalho, informa O Mirante. E, em Torres Novas, adianta o Medio Tejo, foi à porta da Escola Básica e Secundária de Artur Gonçalves que na quarta-feira a luta se fez. Em Samora Correia, nota o Mais Ribatejo, foi na quinta-feira que os professores protestaram, distribuindo panfletos aos encarregados de educação para os esclarecer que é “uma luta que é efetivamente de todos”.

No distrito de Coimbra, relata a Rádio Boa Nova, na quinta-feira, houve manifestação à entrada de sede do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital, tendo a greve fechado a Secundária e as Escolas Básicas da Ponte das Três Entradas e da Cordinha com “cerca de 90% de adesão”. E no dia seguinte de acordo com a mesma fonte a greve fechou a EB Cordinha, EB Ponte das Três Entradas, EB1 de Oliveira do Hospital, Centro Escolar de Nogueira do Cravo, 1º ciclo Travanca de Lagos e Seixo da Beira e pré-escolar de Seixas.

Instalação artística do “crime contra a escola pública” em Braga

Em Braga, dá nota o Diário do Minho, a Escola de Trigal Santa Maria, em Tadim, encerrou na manhã de quinta-feira devido à greve. Organizou-se uma instalação artística que encenava um local de crime denunciando-se um “crime contra a escola pública”. Estiveram nessa manifestação professores das várias escolas do 1.º Ciclo do Agrupamento que abrange as freguesias de Arentim, Tadim, Ruílhe, Aveleda, Fradelos e Tebosa. Também encerradas estiveram a EB Frei Caetano Brandão, a EB de Gondizalves, a Escola Secundária de Maximinos e o Centro Escolar da Naia.

O jornal O Minho publica esta sexta-feira um artigo sobre uma manifestação a decorrer à porta da escola de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo, “em luta desde o dia 9 de dezembro”, diz a professora Cristina Carvalho,acrescentando que “a escola de Santa Marta de Portuzelo esteve fechada, bem como quase todas do Agrupamento Pintor José de Brito, à exceção de Nogueira e Outeiro”.

No distrito de Viana do Castelo, em Melgaço, esta quinta-feira, noticia a Voz de Melgaço, houve igualmente manifestação. Cláudia Souto, uma das docentes presente, declarou que os professores têm perdido o respeito da tutela “nos últimos 20 anos, de forma avassaladora”.

A FamaTV conta como professores da Escola Básica da freguesia de Ruivães, em Famalicão, estão, esta sexta-feira, em greve, e como contam ir no sábado à Marcha pela Escola Pública.

Também a norte, em Lousada, pode ler-se no Verdadeiro Olhar, a escola de EB 1 de Campos, Nevogilde, também fez greve. E ali perto, em Penafiel, a CNN Portugal informava que a Associação de Pais da Escola Secundária apoiou o protesto, para além dos alunos, que também se manifestaram gritando uma palavra de ordem que se tem ouvido em várias pontos do país: “professores a protestar também estão a ensinar”.