Em mais de 45 mil, apenas 3 professores conseguiram colocação

23 de julho 2013 - 12:36

O resultado do concurso nacional de colocação de professores é “catastrófico”, diz a Fenprof. De 45.431 contratados e desempregados, apenas 3 entraram no quadro. 98,5% dos docentes em Quadro de Zona Pedagógica não conseguiram colocação em quadros de escola ou de agrupamentos de escolas. A FNE diz que "os quadros das escolas vão continuar insuficientemente dotados" para as necessidades, enquanto a Fenprof declara que “o MEC de Nuno Crato é a principal agência de desemprego docente”.

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A Fenprof declara que “o MEC de Nuno Crato é a principal agência de desemprego docente”.

Segundo a Fenprof, de 45.431 professores contratados e desempregados existentes, apenas entraram 3 em quadro, um de Religião e Moral e 2 do grupo de Espanhol. A federação sindical refere ainda que de 11.916 docentes que se encontram nos Quadros de Zona Pedagógica (QZP) - que inclui 603 do concurso extraordinário, só entraram 188 em Quadros de Escola (QE) ou em Quadros de Agrupamentos de Escolas (QAE). Houve ainda 1.147 transferências dos 18.001 candidatos a tal mudança.

A Fenprof refere também que “dos QZP, 98,5% ficaram por colocar e dos candidatos sem vínculo 99,993% não foram colocados” e considera que “o resultado é catastrófico e revela o quanto este concurso foi uma farsa, pois não serviu para satisfazer as necessidades das escolas e dos professores, mas apenas a de um MEC que, ao longo de 2 anos, se dedicou a tomar medidas para destruir emprego docente”

A Fenprof diz ainda que a não colocação de professores “não decorre de um eventual decréscimo do número de alunos das escolas porque, como confirmou a OCDE, isso não sucedeu em Portugal” e “também não tem a ver com uma teimosa manutenção dos professores no sistema, pois, como se sabe, nos últimos 2 anos saíram das escolas mais de 25.000 docentes, entre aposentações e despedimento de contratados”. Para esta federação sindical, a situação decorre “de uma deliberada política orientada para extinguir postos de trabalho de docentes, perseguindo, dessa forma, 3 objetivos principais: reduzir despesa à custa do emprego docente; criar maiores dificuldades ao funcionamento das escolas públicas e à sua capacidade de resposta para beneficiar os privados; encontrar argumentos para acabar com o concurso nacional”.

Para a Federação Nacional de Educação (FNE), os resultados do concurso nacional de professores demonstram que "os quadros das escolas vão continuar insuficientemente dotados" em relação às necessidades.

A FNE refere que o concurso permitiu “uma muito reduzida mobilidade geográfica de docentes dos quadros” e realça que "não chega a 200 o número de docentes de quadros de zona pedagógica que conseguem entrar em lugares de quadro de escola ou de agrupamento de escola, deixando vários milhares em situação de incerteza quanto à sua colocação, o que se tornou particularmente grave" para a vida destes professores. A FNE sublinha ainda que "dos cerca de 600 docentes contratados com mais de 20 anos de serviço e que este ano entraram em QZP por efeitos do concurso extraordinário de vinculação, apenas um entrou em lugar de quadro de escola".

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