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Em Angola os preços de produtos básicos estão a aumentar muito

Arroz, açúcar, óleo, massas entre outros produtos de primeira necessidade para a alimentação aumentaram fortemente de preço na última semana em Angola. Numa economia fortemente dependente do petróleo e a aplicar a austeridade do FMI, a recessão e a desvalorização da moeda realidades que se sentem na vida concreta.
Venda de rua em Angola. Novembro de 2012.
Venda de rua em Angola. Novembro de 2012. Foto de Giulia.corradini. Wikimedia Commons.

Segundo o Novo Jornal de Angola, a cesta básica alimentar, de que fazem parte alimentos como o arroz, o açúcar, o óleo ou a massa alimentar, etc., está a sofrer aumentos significativos.

O jornal fez a rondas dos principais armazéns de Luanda e fez as contas, apresentando vários exemplos. Um saco de arroz de 25 quilos, que custava seis mil kwanzas, passou a custar 10200; um saco de 25 quilos de feijão, passou de 11 mil para 13600; o saco de farinha subiu numa semana de 15 para 16 mil; o saco de 50 quilos de açúcar que era vendido por 1350 é agora transacionado a 15000.

Estes aumentos no mercado grossista refletem-se imediatamente nos preços de venda ao público. O quilo do arroz subiu de 150 para 500, o de açúcar de 300 para 450, o feijão de 400 para 700, entre vários outros exemplos.

Segundo esta mesma fonte, o Ministério das Finanças angolano alertou no início da semana para a existência de uma lista falsa de novos preços de produtos da Cesta Básica que circula nas redes sociais e é atribuída fraudulentamente a este organismo governamental, esclarecendo que estas informações “não têm qualquer respaldo legal e não devem ser tidas como regra ou procedimento a seguir, como orientação daquele Ministério, em matéria de regulação de preços”.

Raimundo Santa Rosa, chefe do Departamento de Regulação dos Preços do Ministério das Finanças, sustentou publicamente na Rádio Nacional que deveria existir uma “investigação aprofundada” ao aumento destes preços, esclarecendo que os novos preços de produtos como o arroz e a farinha de trigo estão muito distantes dos preços de referência.

Kwanza cada vez mais fraco

Ainda de acordo com este jornal, o kwanza, a moeda angolana, está a desvalorizar aceleradamente há cerca de um mês devido à decisão do Banco Nacional de Angola de acabar com os limites à variação da moeda. A regra anteriormente válida fazia com que o kwanza só pudesse variar em 2% nos leilões periódicos de moeda estrangeira realizados junto dos bancos comerciais de forma a que não sucedessem descidas agressivas.

Acabada esta regra, desde o início do mês euro e dólar valorizaram 18% relativamente à moeda angolana. Se nos reportarmos ao início do ano estas moedas passaram a valer comparativamente mais 32%, encontrando-se agora nos valores mais altos de sempre.

Recessão e petrodependência

A desvalorização do kwanza foi uma das medidas preconizadas pelo FMI em troca do empréstimo de 3,7 mil milhões de dólares em dezembro de 2018. Do pacote de austeridade fazem também parte, entre várias outras medidas, privatizações (que poderão acarretar despedimentos) e o fim dos subsídios aos combustíveis. Fazendo os custos de produção subirem, esta medida também deve implicar aumentos de preços em muitos produtos

O país continuará este ano mergulhado numa recessão que dura há quatro anos. O relatório do FMI sobre as Perspetivas Económicas Mundiais estima uma contração económica na ordem dos 0,3% para este ano. E apesar desta instituição prever que, em 2020, Angola regresse ao crescimento com 1,2%, há outras instituições que têm perspetivas mais negativas como o Economist Intelligence Unit do jornal The Economist que prevê 2% negativos.

Numa economia que permanece dependente do preço do petróleo, os números do FMI que corrigiu a perspetiva de crescimento da economia mundial de 3,9% para 3%, a taxa de crescimento mais baixa desde a crise de 2008-9, e da OPEP, que acredita numa redução da procura de petróleo estão longe de ser sinais positivos para o futuro.

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