Eleições na Moldávia: entre a Rússia e a União Europeia

26 de fevereiro 2019 - 17:37

As eleições de domingo no pequeno país da Europa do leste foram um dos palcos da disputa entre duas esferas de influência internacional. O seu resultado foi inconclusivo. Com a instabilidade política à espreita, os vários partidos políticos queixam-se de fraude eleitoral.

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Parlamento da Moldávia. Foto de kgbbristol/Flickr

O Partido dos Socialistas, pró-russo, do presidente Igor Dodon, ganhou sem maioria absoluta com 31,2%. A aliança pró-europeia de direita ACUM ficou um pouco atrás com 26,7% e o Partido Democrático da Moldávia do milionário Vlad Plahotniuc e pertencente à Internacional Socialista, maioritário no parlamento anterior, ficou em terceiro lugar no voto (23,7%) mas elege mais deputados que a aliança. O Partido dos Comunistas da República da Moldávia, que esteve no governo entre 2001 e 2009 e que tinha 21 deputados, obteve apenas 3,7% e perdeu a representação parlamentar. A taxa de abstenção suplantou os 50%.

Estes resultados não deixaram nenhuma das forças políticas satisfeita. O impasse estratégico entre quem defende a aproximação a Moscovo e quem defende a entrada na União Europeia, seguindo o modelo da vizinha Roménia, mantém-se. E as negociações para criar uma coligação que consiga governar o país serão difíceis dada a hostilidade entre todas as partes.

Numa coisa os principais partidos moldavos concordam: houve compra de votos nestas eleições, intimidação de eleitores e meios pouco democráticos de campanha. Uma das dirigentes da ACUM considerava estas “as eleições menos democráticas da história da Moldávia”. A presidente dos socialistas, Zinaïda Grechatchny, sublinhava a existência de “fraudes grosseiras”. O partido de Plahotniuc, o principal alvo destas acusações, acusa por sua vez o governo russo de ingerência política por ter envolvido o milionário num caso de branqueamento de capitais de 50 milhões de euros nas vésperas do ato eleitoral.

Por sua vez, os observadores da OSCE no seu relatório sobre as eleições confirmam: “há fortes indicações de compras de votos e de abusos de recursos do Estado”, “controlo dos media por atores políticos” e “confusão” dado o novo sistema eleitoral misto, mais complexo que o anterior.

De um lado estão as trocas comerciais com a Rússia que pesam muito e a situação dos imigrantes moldavos na Rússia: o embargo russo à importação de vinhos e frutos da Moldávia devido a “problemas de segurança alimentar” foi uma arma política importante e um trunfo para o presidente Dodon já que foi na sequência da sua visita a Moscovo que foi levantado). Pesa ainda na equação política do pequeno país situado entre a Roménia e a Ucrânia a existência de uma província separatista, a Transnístria, que vive numa situação de independência de facto e que tem presença no seu território de forças militares russas.

Do outro estão os acordos económicos de associação com a União Europeia assinados em 2013 que abrem outros mercados. A relação com a UE também é uma arma política: em 2018 foi suspenso o apoio financeiro ao país devido “à deterioração do Estado de direito”. No meio está o povo moldavo que pode voltar a ser chamado às urnas outras vez em breve.