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O Conselho Supremo das Forças Armadas do Egipto aceitou a renúncia do primeiro-ministro Ahmed Shafiq, nomeando em sua substituição o ex-ministro de Transportes Esam Sharaf.
A demissão de Shafiq – que fora nomeado para o cargo pelo ex-presidente Hosni Mubarak dias antes de este renunciar – era uma das principais exigências da oposição e dos manifestantes, que tinham convocado para esta sexta-feira uma grande concentração para exigir a demissão de altos funcionários oriundos do regime de Mubarak.
Um dos porta-vozes da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, afirmou que a renúncia de Shafiq é "um passo correcto", visto que "pertencia a um regime que foi derrubado pelo povo". Mursi insistiu na necessidade de acabar com a Lei de Emergência, vigente desde 1981, e de julgar os dirigentes corruptos e que violaram os direitos humanos.
Apesar de o novo chefe de governo ter sido ministro dos Transportes entre Julho de 2004 e Dezembro de 2005, ainda sob Mubarak, tornou-se crítico do regime pouco depois de abandonar o cargo. "O regime ditatorial foi derrubado com a queda de Mubarak e o seu governo. Estamos no caminho correcto", avaliou o Movimento 6 de Abril numa mensagem divulgada no Twitter.
Já a Coligação dos Jovens da Revolução de 25 de Janeiro disse esperar que mais ministros do antigo regime saiam nos próximos dias, entre eles os ministros dos Negócios Estrangeiros, Ahmed Aboul Gheit; do Interior, Mahmoud Wagdy, e da Justiça, Mamdouh Mary.
Abdel Hamid, porta-voz da Coligação acrescentou que é possível que as manifestações previstas para esta sexta-feira sejam canceladas, mas afirmou que espera realizar mais mobilizações para exigir o cumprimento das outras exigências da revolução.
O Nobel da Paz Mohamed El Baradei também se mostrou satisfeito com a renúncia de Shafiq porque, com esta decisão, "caiu o regime de Mubarak e o seu governo"disse, em mensagem no Twitter em que agradeceu também à cúpula militar pela sua resposta às exigências do povo.
Apesar destas mudanças, os jovens do Movimento 6 de Abril afirmaram a intenção de continuar com os protestos e que a sua próxima tarefa é "derrubar os cabeças da corrupção nas províncias".