Na quarta-feira, 12 de outubro, uma delegação da Fiequimetal e da Comissão Intersindical da EDP entregou na sede do grupo, em Lisboa, uma proposta de revisão imediata das tabelas salariais e matérias de expressão pecuniária, reivindicando 150 euros de aumento para todos os trabalhadores.
O coordenador da Fiequimetal destaca as perdas salariais dos trabalhadores da EDP, estimadas em 5,9 por cento, perante uma inflação que deverá atingir 7,4 por cento este ano, e assinala como as perdas dos trabalhadores contrastam com os lucros obtidos e os dividendos distribuídos pelo grupo em 2021.
A Fiequimetal defende que a proposta de revisão salarial é “realista” e que “a sua aceitação está ao alcance da situação económica do Grupo EDP”. A esse respeito, lembra que o grupo obteve, no ano passado, 1.104 milhões de euros de lucro líquido e distribuiu 750 milhões de euros de dividendos aos acionistas, pagando ainda quase 11 milhões de euros aos dez membros do Conselho de Administração.
Acresce que, nos últimos seis anos, entre 2016 e 2021, a EDP acumulou lucros no montante de 6.682 milhões de euros. No primeiro semestre deste ano, os lucros, depois de impostos, já subiram 22,7% em relação a igual período de 2021. A proposta de 150 euros de aumento salarial, que representa pouco mais de 14 milhões de euros, é, portanto, manifestamente exequível.
A Federação Intersindical aponta também que “a EDP presta um serviço de natureza imprescindível ao bem-estar de todos, fundamental ao desenvolvimento económico e industrial do País”, e que “os excelentes resultados financeiros dos últimos anos não se têm refletido na situação dos trabalhadores”. Na realidade, estes “assumem cada vez mais tarefas em excesso, mas não são valorizados, seja nos salários, seja nas carreiras profissionais”. Conforme sublinha a Fiequimetal, “é ainda mais injusta a falta de valorização dos trabalhadores mais jovens”.
O grupo EDP é ainda acusado de promover a precarização laboral: “A EDP ocupa o pódio no recurso à ‘prestação de serviços’, no atendimento aos clientes e em outras áreas, o que faz dela uma campeã também na promoção da precariedade”, refere a estrutura sindical.
A Fiequimetal lembra que o grupo está ao corrente de todos estes problemas, e lamenta a “prolongada falta de resposta positiva”, que “representará mais um fator de descontentamento e de mobilização para a luta, em unidade, dos trabalhadores das empresas do Grupo EDP”.