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E se tivéssemos ficado sem cultura? Profissionais das artes estão na rua

Depois de um manifesto e um protesto digital com milhares de imagens nas redes sociais, os profissionais envolvidos no setor da cultura saíram à rua esta quinta-feira. As pequenas vigílias marcarão o dia inteiro em 16 cidades portuguesas.
Protesto em frente à Assembleia da República. Fotografia de Fabíola Cardoso
Protesto em frente à Assembleia da República. Fotografia de Fabíola Cardoso

No seguimento do manifesto e da ação online pelo presente e futuro da cultura em portugal, esta quinta-feira é dia de os profissionais das artes saírem à rua em 16 cidades portuguesas. Assegurando o cumprimento das normas de segurança, representantes de vários setores culturais apresentam-se desde as 9 da manhã em frente à Assembleia da República, onde estarão todo o dia, segurando cartazes com a frase “e se tivéssemos ficado sem cultura?”.

“Somos técnicxs. Somos cenógrafxs. Somos acrobatas. Somos professores de expressão artística e cultural. Somos bailarinxs. Somos aderecistxs. Somos técnicxs de museus. Somos assistentes de sala. Somos músicxs. Somos equipa de limpeza. Somos estes e muitos mais e vamos sair à rua. Com precaução e consciência, mas vamos sair à rua.”, pode ler-se no evento que convoca o protesto. 

Também em Almada, Aveiro, Caldas da Rainha, Coimbra, Évora, Faro, Funchal, Lagos, Leiria, Porto, Santa Maria da Feira, Setúbal, Sintra, Vila do Conde e Angra do Heroísmo se organizaram núcleos com um número restrito de vagas para a intervenção presencial. Para quem não pode estar nas ações de rua, o protesto digital assentará na divulgação em massa de registos fotográficos. 

“O setor da cultura foi dos primeiros afetados pela pandemia e está a ser ignorado pelo estado como se a criação e produção artística não fossem também o que nos define e constrói enquanto colectivo e enquanto sociedade", denuncia a associação Precários Inflexíveis. 

As ações de protesto pela falta de apoio ao setor da cultura começaram no início de Maio quando um conjunto de 14 estruturas culturais - entre as quais Fundação GDA, Associação Plateia, Sindicato CENA-STE, Acção Cooperativista, Precários Inflexíveis e Artesjuntx - lançou o manifesto Unidos pelo presente e futuro da Cultura em Portugal, que já foi entregue aos Presidentes da República e da Assembleia da República, ao Primeiro-Ministro e à Ministra da Cultura. 

Nas últimas semanas multiplicou-se o apoio à cultura nas redes sociais, com milhares de artistas e outros profissionais das artes a publicarem imagens - entre fotografias, ilustrações ou montagens - com a frase Unidos pelo Presente e Futuro da Cultura em Portugal. O apelo recebeu o apoio de artistas internacionais como Antonija Livingstone, Daniela Mercury, Jared Gradinger, Meg Stuart e Ondine Cloez.

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