E se a carne de cavalo contaminada fosse distribuída aos pobres?

28 de fevereiro 2013 - 18:05

Há ou não riscos para a saúde pública resultantes da entrada de carne de cavalo contaminada na cadeia alimentar? E, se existe, deverá ser distribuída pelos mais pobres e carenciados da União Europeia, como sugeriu um ministro alemão? Perguntas levantadas em Bruxelas pela eurodeputada Alda Sousa, perante o comissário maltês Tonio Borg.

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Alda Sousa perguntou ao comissário europeu: "Há ou não riscos para a saúde pública resultantes da entrada de carne de cavalo contaminada na cadeia alimentar? E, se existe, deverá ser distribuída pelos mais pobres e carenciados da União Europeia, como sugeriu um ministro alemão?"

O debate decorreu na reunião da Comissão Parlamentar de Ambiente, Saúde e Segurança Alimentar (ENVI) realizada quinta-feira.

Alda Sousa "estranhou" que o comissário tenha afirmado que não há problema para a segurança alimentar resultante do consumo de carne de cavalo integrada em produtos à venda nos mercados europeus. "Se não há perigo", perguntou a eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL), "porque razão a Agência Alimentar alertou as autoridades francesas para o facto de haver fenilbutazona contaminando a carne de cavalo que entra na cadeia alimentar?". Perante duas posições antagónicas, Alda Sousa perguntou quem o comissário acha que tem razão.

A eurodeputada do Bloco de Esquerda pediu também ao comissário maltês um comentário sobre a sugestão de um ministro alemão segundo o qual a carne de cavalo contaminada retirada do mercado poderia ser distribuída aos pobres e às pessoas mais carenciadas dos países da União. "Na União Europeia há cidadãos de primeira e segunda?", perguntou Alda Sousa. E, acrescentou, "numa altura de crise como esta, os mais pobres devem ser ainda mais penalizados, de tal modo que tenham que comer carne contaminada".

Perante a declaração do comissário dizendo que a legislação que existe relacionada com este problema é suficiente, desde que completada com rotulagem obrigatória ao nível dos países, Alda Sousa propôs, como "mais sensato", a criação de um registo central dos boletins sanitários dos cavalos, de modo a impedir o recurso a animais contaminados.

Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu