“É preciso travar o negócio que vive da destruição da Amazónia”

28 de agosto 2019 - 23:50

Catarina Martins defendeu que, se, por um lado, o Brasil tem de ter a “solidariedade internacional para preservar a Amazónia”, por outro lado, devem ser aplicadas as sanções políticas, diplomáticas e económicas necessárias para travar esta tragédia: “Toda a solidariedade sim, mas para proteger a Amazónia”.

PARTILHAR
Foto de Paula Nunes.

“A Amazónia está a arder há muito tempo. Sabemos que, no dia 10 agosto, começou com uma queimada de fazendeiros do agronegócio com o objetivo propositado de ganhar terras à floresta”, lembrou a coordenadora bloquista durante uma Conversa sobre a Amazónia na Casa Ninja, em Lisboa, que contou também com a participação de Lucélia Santos, atriz e promotora de uma petição internacional pela Amazónia, João Salaviza e Renée Nader Messora, realizadores do filme “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, Cyntia de Paula, presidente da Casa do Brasil, e Zienhe Castro, curadoura do festival Amazónia Doc.

“Aquilo a que estamos a assistir é uma manobra clara económica de destruição da Amazónia”, continuou Catarina Martins.

De acordo com a dirigente do Bloco, “existiam todos os indícios de que uma coisa destas podia acontecer”: “As proteções ambientais foram sendo destruídas pelo governo brasileiro e todo o incentivo foi dado a ações que são ilegais e que destroem a floresta e atacam as populações indígenas”.

Assumindo que esta é uma matéria complexa, Catarina Martins frisou que existem “posições de princípio que é preciso assumir muito claramente do ponto de vista político”.

Em primeiro lugar, a coordenadora bloquista assinalou que “a destruição que está neste momento a acontecer é uma destruição com um ritmo que nunca foi visto”: “Este ano já ardeu mais de 80% do que nos outros anos maus. O problema não é de agora, mas está a acelerar de uma forma brutal, perigosa e impiedosa. Portanto, se sempre foi preciso ação, agora é preciso ação mais do que nunca”, alertou.

Em segundo lugar, Catarina Martins destacou que “é certo que estão a acontecer incêndios importantes em tantos sítios do planeta e que são destrutivos. E é certo que isso nos deve preocupar. Em boa parte, as alterações climáticas, os fenómenos extremos de urgência climática são causa e produto destes incêndios”.

“Não é só a Amazónia que está a arder e também não é só a Amazónia que fica no território brasileiro que está a arder, mas sabemos que o Brasil tem uma grande quota da floresta amazónica”, acrescentou.

Contudo, a dirigente do Bloco salientou que “a Amazónia não é um sítio qualquer, porque é o pulmão do planeta por uma razão científica, comprovada, é essencial para o oxigénio que nós respiramos. E é por isso que é um assunto de todos e todas nós e ninguém pode ficar indiferente face ao que está a acontecer”.

“E é também verdade que, se a Amazónia está a arder como nunca, é também por responsabilidade política do governo brasileiro e da sua atuação contra quem pode proteger a floresta e a favor dos fazendeiros e do agronegócio”, afirmou Catarina Martins.

Pedindo um posicionamento claro do governo português, a coordenadora do Bloco assumiu que “há uma responsabilidade internacional na preservação da Amazónia e que o Brasil tem de ter solidariedade internacional para preservar a Amazónia”, o que passa pela afetação de recursos, nomeadamente dinheiro, mas também a necessidade de avançar com as “sanções políticas, diplomáticas e económicas necessárias para travar este incêndios e para travar o negócio que vive da destruição do pulmão do mundo”.

“Toda a solidariedade sim, mas para proteger a Amazónia”, rematou.