“É inaceitável que a troika se instale de armas e bagagens no dia das eleições europeias”

05 de maio 2014 - 15:56

João Semedo anunciou esta segunda-feira que o Bloco de Esquerda vai apresentar uma queixa à Comissão Nacional de Eleições contestando a realização a 25 de maio, dia das eleições europeias, de uma “cimeira da troika”, que contará com a presença de Durão Barroso, Mário Draghi e Christine Lagarde. O coordenador bloquista recordou que “Portugal não é uma república das bananas” e acusou o Governo de ser “cúmplice desta golpada eleitoral”.

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“Há 365 dias do ano. Não há qualquer boa razão para que essa conferência tenha de se iniciar a 25 de maio”. Foto de Paulete Matos

“É inaceitável que a troika se instale de armas e bagagens” em Portugal no dia do sufrágio para o Parlamento Europeu, acusou o coordenador do Bloco João Semedo, referindo-se à conferência “Política Monetária num Contexto Financeiro em Evolução”, marcada para um hotel em Sintra entre 25 e 27 de maio, e que trará a Portugal figuras como Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia.

O Bloco, revelou João Semedo, questionou o primeiro-ministro sobre a conferência e a eurodeputada do partido Marisa Matias interrogou Barroso e Draghi sobre a reunião agendada para Sintra, "torna clara a intenção de condicionar" o ato eleitoral "de um Estado-membro que tem estado sujeito a um programa de intervenção" visionado pela troika.

“Portugal não é uma república das bananas”, advertiu João Semedo, que falava aos jornalistas na sede da Rua da Palma, em Lisboa.

“Há 365 dias do ano. Não há qualquer boa razão para que essa conferência tenha de se iniciar a 25 de maio”, sublinhou, acusando o Governo de ser “cúmplice desta golpada eleitoral” por saber da conferência e não fazer nada para a adiar.

A lei eleitoral, lembra o Bloco, “é bem clara ao estipular que é proibido qualquer tipo de propaganda que influencie, direta ou indiretamente, o sentido de voto dos cidadãos” no dia das eleições, pelo que esta “cimeira da troika” é, além de tudo, uma “provocação” que deve merecer a atenção da CNE.

O primeiro fórum do BCE sobre bancos centrais está agendado para começar no fim da tarde de 25 de maio, domingo, com uma receção de abertura a cargo do presidente do BCE, Mario Draghi, seguida de jantar em que haverá uma intervenção da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.

No dia seguinte, segunda-feira, haverá várias sessões, com responsáveis do BCE, como o vice-presidente Vítor Constâncio, assim como o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem. Estarão ainda presentes académicos e o governador do Banco Central da Turquia, Erdem Basçi.

Por fim, na terça-feira, continuam os debates com personalidades como Peter Praet, membro da comissão executiva do BCE, o prémio Nobel da economia Paul Krugman, o historiador britânico Niall Ferguson, e o governardor do Banco Central do México, Agustín Carstens.

Governo “faz a festa e lança os foguetes”, mas esconde acordos feitos com a troika

“Não tenho qualquer dúvida de que ontem – domingo - o Governo fez a festa e lançou os foguetes. Mas escondeu, mais uma vez, dos portugueses os custos exatos e os acordos exatos que fez com a troika nesta 12.ª avaliação. A saída limpa não é saída nem é limpa”, advertiu o coordenador bloquista.

Semedo instou o executivo liderado por Pedro Passos Coelho a revelar “hoje, tão depressa quanto possível”, todos os contornos e acordos “combinados” com a troika para o futuro mais imediato.

“Se esses acordos se mantiverem no desconhecimento dos portugueses até ao dia das eleições, naturalmente que só pode ser por razões eleitoralistas da parte do Governo”, frisou ainda o bloquista.

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