Espanha vai pagar dois milhões de euros por ano a Portugal por captações de água na albufeira do Alqueva. O pagamento foi a solução para a situação que se vive desde 2002, e é fruto de negociações que acontecem há anos no contexto da seca vivida no sul da Península Ibérica e das tensões entre agricultores espanhóis e portugueses.
A atual ministra do Ambiente confirmou na Assembleia da República que a dívida total de Espanha pela água do Alqueva utilizada pelos agricultores espanhóis desde 2002 é de 40 milhões de euros.
As tensões entre agricultores portugueses e espanhóis têm aumentado com o agravamento da seca. Espanha e Portugal também retiram água do Guadiana através de captações de água que não estão previstas na convenção de Albufeira, sendo por isso ilegais. Essas captações têm impacto direto nos caudais ecológicos do Guadiana.
O acordo entre os dois países, a ser fechado em setembro, não determina só o pagamento pela utilização da água do Alqueva, mas deverá também prever soluções para as captações no rio Guadiana e para o rio Tejo, onde os caudais ecológicos não estão a ser cumpridos.
A libertação de água no rio Tejo tem sido feita por Espanha de acordo com os caudais ecológicos acordados de forma mensal ou semanal. Isso significa que cabe aos espanhóis decidir, no espaço de uma semana ou de um mês, como libertar a água, desde que cumpram as metas previstas nesses espaços de tempo.
O acordo firmado até agora implica por isso uma maior irregularidade, o que significa que na prática os caudais ecológicos não estão a ser cumpridos, e o rio está a funcionar com caudais mínimos. A esperança é que se possam acordar caudais ecológicos diários, para que haja uma distribuição mais consistente e uniforme todos os dias, o que terá também menos impacto nos ecossistemas fluviais.