Flotilha humanitária

Drones voltam a voar sobre a Flotilha, Mariana apela a sanções contra Israel

22 de setembro 2025 - 12:15

A ideia parece ser intimidar, enquanto os ativistas a bordo treinam respostas não violentas em caso de ataque israelita. Mariana Mortágua diz que após o reconhecimento “tardio” do Estado da Palestina, Portugal tem de avançar para sanções para que “amanhã haja Palestina”.

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Um dos barcos da Flotilha.
Um dos barcos da Flotilha. Foto de Mohamed Messara/EPA.

Vários drones de origem não identificada foram detetados na noite deste domingo sobre a Flotilha de Solidariedade que pretender romper o cerco israelita à entrada de ajuda humanitária em Gaza. A informação foi confirmada por várias fontes.

Por exemplo, o Comité Internacional para Romper com o Cerco em Gaza informou que foram vistos “voos repetidos de drones sobre os barcos da Global Sumud Flotilla” e que “alguns destes drones voaram inabitualmente perto das embarcações”.

Wael Naouar, porta-voz da componente do Magrebe da Flotilha, explicou nas suas redes sociais que viu três drones sobrevoar o barco em que está e também confirmou que “um deles depois aproximou-se muito”.

Apesar da manobra de intimidação, não há, até ao momento, notícia de mais nenhum ataque, depois de, por dois dias consecutivos, dois barcos terem sido atacados enquanto estavam no porto de Tunes.

A Flotilha, a maior das iniciativas deste género de sempre, tem prevista a chegada à costa de Gaza numa semana. Se conseguir aí aportar, romperá um bloqueio de mais de 17 anos. A maioria dos barcos, cerca de 50, estão atualmente numa posição mais ou menos equidistante entre Líbia, Itália e Grécia.

Na “zona amarela”, ativistas preparam resposta não violenta em caso de ataque

Os barcos aproximam-se assim daquela que é considerada a “zona amarela” na qual é considerado provável um ataque das forças armadas sionistas.

Thiago Ávilla, ativista brasileiro que integra o Comité Diretor da Flotilha, ao mesmo tempo que insiste ser preciso “continuar esta missão porque a situação na Palestina exige mais do que nunca que nos mobilizemos” conta que as pessoas a bordo tiveram mais uma sessão de treino sobre ação não violenta.

A Al Jazeera relata como os protocolos de segurança em caso de emergência foram mais uma vez revistos com todas as pessoas a juntarem-se no convés das embarcações, preparando-se cenários como fogo a bordo, quedas e colisões, por exemplo. Também não foi esquecido o cenário em que os barcos são intercetados e as instruções do que fazer nesse caso, de forma a evitar pretextos para que os soldados israelitas escalem ainda mais situações de violência.

Os ativistas presentes comprometeram-se portanto a não reagir a agressões e manifestaram unanimemente a vontade de que ninguém intervenha caso sejam arrastados ou agredidos. Um dos presentes resumiu a razão: “se reagires ou falares enquanto estás a ser espancado, não só colocarás a tua própria segurança em risco, mas também a dos outros”.

Israel investe milhões para denegrir a flotilha

Para além da intimidação à Flotilha, feita através de drones e de ameaças do governo israelita de tratar todos a bordo como terroristas, há a assinalar a campanha milionária que Israel lançou nas redes sociais contra a Flotilha.

O governo israelita está a investir mais de dez milhões de euros por mês nas redes sociais para fazer passar a sua mensagem, descobriu uma investigação da rede de canais públicos da Eurovisão, Eurovision News Spotlight citada pelo diário espanhol Público. Desde meados de junho, gastaram em publicidade, só no X e no Youtube, 42 milhões de euros.

O foco anterior era negar a existência de fome em Gaza. Uma campanha de anúncios pagos no Youtube tentava contrariar a declaração da Organização Mundial de Saúde sobre o tema, usando imagens descontextualizadas de restaurantes e mercados cheios de comida. Ultrapassaram as 18 milhões de visualizações.

Agora a atenção voltou-se para a Flotilha e passa pela Google. Desde sábado que há anúncios segmentados que fazem com que muitas das pessoas que pesquisem pela expedição humanitária no motor de pesquisa desta empresa vejam uma página oficial do governo israelita que descreve a iniciativa como uma ferramenta do “Hamas e da Irmandade Muçulmana”. Milhões terão também já visto estas mensagem que tem como objetivo criminalizar uma iniciativa que não se cansa de repetir que acontece dentro de todas as normas do direito internacional.

Mariana Mortágua: reconhecimento tem de ter consequência e essas são sanções

Entretanto, a bordo do barco da Flotilha de bandeira portuguesa, Mariana Mortágua falou sobre o reconhecimento do Estado da Palestina por parte de Portugal. Para ela, este foi “tardio” mas “é importante que seja feito” num contexto de limpeza étnica e genocídio em Gaza e ocupações contrárias ao direito internacional na Cisjordânia.

Também por isto, “o reconhecimento tem de ter consequências: sanções contra Israel para travar o genocídio e ter finalmente uma Palestina livre”. Isto porque “se o Estado português reconhece o direito à Palestina a existir então é preciso criar as condições para a existência desse Estado”, para “garantir que amanhã haverá uma Palestina”, dando “todos os passos necessários para travar o genocídio”.