É um novo escândalo que abala a gestão privada dos hospitais públicos em Espanha. Na mira está novamente o grupo Ribera Salud, que detém a única Parceria Público Privada em vigor nos hospitais portugueses, a do Hospital de Cascais.
O jornal online El Diário publicou esta semana a mensagem enviada no passado dia 6 de outubro pela chefe de auditoria do grupo Ribera Salud aos responsáveis do hospital público que a empresa gere em Torrejón, nos arredores de Madrid. A ordem era clara: “deviam reutilizar cateteres de eletrofisiologia que são de uso único, para poupar dinheiro”, avança o jornal, acrescentando que essa prática já estava a ser seguida noutro hospital gerido pelo grupo em regime de concessão a privados em Alicante, na Comunidade Valenciana.
A notícia provocou nova reação política em Valencia, com o PSOE e o Compromis a prometerem levar este caso à justiça, tal como o fizeram antes com as escutas reveladas pelo El Pais em que o responsável máximo do grupo exigia o aumento dos lucros com a recusa dos doentes “não rentáveis”. Os deputados consideram que podem existir razões suficientes para a cessação do contrato de concessão da gestão do hospital, recentemente renovado pelo governo liderado pelo Partido Popular por mais cinco anos.
Alertada pelo El Diário para a existência da mensagem, o departamento de saúde do governo valenciano afirma ter feito uma inspeção na passada sexta-feira em que não foi detetada a reutilização deste tipo de material de uso único. O grupo Ribera Salud apoiou-se no resultado desta inspeção para afirmar que “no Hospital Universitário de Vinalopó não se está a reutilizar material de uso único” e sugerir que a mensagem enviada aos dirigentes hospitalares de Torrejón “pode ter sido manipulada”, tal como já alegara em relação aos audios das escutas publicadas pelo El Pais e que levaram à demissão do CEO do grupo.