Está aqui

Divergências entre FMI e Berlim ameaçam financiamento à Grécia

O FMI condiciona a sua participação no terceiro memorando ao alívio substancial da dívida grega. Schäuble recusa e diz que se o FMI não entrar, a Alemanha não cumprirá o acordo assinado com a Grécia em Bruxelas.
Lagarde e Schäuble
Lagarde e Schäuble. Foto FMI/Flickr

A decisão do Fundo Monetário Internacional sobre a participação no financiamento de 86 mil milhões de euros previsto no terceiro memorando será tomada numa reunião do Fundo na próxima segunda-feira. Até agora, o FMI tem reafirmado que a dívida grega é insustentável, pelo que os estatutos da organização impedem o financiamento ao país sem um alívio substancial da dívida.

A posição da instituição liderada por Christine Lagarde é contestada pela Comissão Europeia e pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade, que recentemente promoveram uma restruturação de maturidades e juros da dívida grega, uma medida que o FMI considerou "insuficiente".

Para Bruxelas, a dívida grega é “gerível”, desde que o país se comprometa a gerar saldos orçamentais primários (que excluem os juros da dívida) durante vários anos, mesmo após o termo do memorando em 2018. E recusa-se a avançar com uma restruturação mais profunda da dívida antes do termo desse prazo. Para o FMI, é necessária nova restruturação e mais austeridade para os gregos.

Esta semana, o diário Bild noticiou que em caso de resposta negativa do FMI, o ministro alemão das Finanças voltará a colocar em cima da mesa o cenário da saída da Grécia da zona euro, uma vez que defende não existirem condições políticas para o parlamento alemão aprovar o financiamento à Grécia acordado em Bruxelas sem a participação do Fundo. Um dos conselhieros económicos da CDU alemã, Karsten Lindeman, veio defender que a Europa precisa de definir regras claras para permitir a um país entrar em bancarrota dentro da zona euro e abandoná-la.

Em vésperas de semanas de forte agitação política provocadas pelo desentendimento entre os credores, e face à ameaça de reedição do fantasma do Grexit, o governo grego recusa-se a tomar medidas de austeridade adicional às que se comprometeu na assinatura do terceiro memorando, enquanto prossegue a negociação com os credores para concluir a segunda avaliação deste memorando.

Esta segunda-feira, o comissário europeu Pierre Moscovici afirmou aos jornalistas que Atenas e as instituições europeias “não estão longe” de um acordo que permita dar luz verde à segunda avaliação.

Presidente grego diz que o Eurogrupo é “eminência parda” sem existência legal

Em visita a Portugal, o presidente da Grécia recebeu o doutoramento honoris causa esta segunda-feira na Universidade de Coimbra. No seu discurso, Prokopis Pavlopoulos falou do “défice democrático” na Europa, em que as decisões financeiras mais importantes são tomadas por um organismo que não tem existência legal: as reuniões dos ministros das Finanças da zona euro.

O presidente grego lembrou os recentes acórdãos do Tribunal de Justiça Europeu, em resposta a queixas de depositantes lesados pelo bail-in no Chipre, em que recusou pronunciar-se justificando que nem o Eurogrupo nem o Mecanismo Europeu de Estabilidade (que assinou o memorando cipriota) são considerados instituições da União Europeia, pelo que as suas ações não poderiam ser contestadas em tribunais europeus.

Pavlopoulos concluiu que a decisão do tribunal, ao considerar o Eurogrupo como um fórum de discussão informal enre ministros e não como um organismo decisor, prova que se trata de uma “eminência parda”, evidenciando “a falta de regras eficazes de governo económico na zona euro”, que aprofundam o “défice democrático no conjunto da União Europeia”.

Termos relacionados Internacional
(...)