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A direita não quer que se saiba como se gastaram mais de 5 mil milhões com o BPN

As imagens mais impressivas que ficam desta semana são a do PS, completamente dividido na votação das propostas do Bloco que permitiam a adoção por casais do mesmo sexo, e a do susto da direita perante a possibilidade do Parlamento abrir um inquérito sobre o processo do BPN.

 

A imagem mais impressiva que fica desta semana parlamentar é a da bancada do PS completamente dividida na votação dos projetos de lei que permitiam a adoção por casais do mesmo sexo, apresentados pelo Bloco e, também, pelo PEV. A grande maioria dos deputados socialistas votaram a favor e apenas oito seguiram a posição oficial da direção do PS, votando contra. A direita votou contra, mas quer no PSD quer no CDS registaram-se algumas abstenções e votos favoráveis às propostas do Bloco. Excluindo os partidos proponentes, unanimidade só na bancada comunista, cujo voto contra contribuiu para impedir a adoção de crianças por casais do mesmo sexo.

Impressivo também o susto da direita perante a possibilidade do Parlamento abrir um inquérito ao processo do BPN, incluindo a sua venda ao BIC. Uma venda de favor – como suspeita a própria Comissão Europeia: o estado vende por 40 milhões um banco limpinho, lavadinho e no qual acaba de meter mais 767 milhões de euros. Negócios destes só mesmo para os amigos…. A direita não quer que os cidadãos saibam onde se gastaram mais de cinco mil milhões de euros em três anos e muito menos que sejam conhecidos os meandros desta venda ao BIC, banco de capitais luso-angolanos. Os votos do PSD chumbaram o inquérito mas, mais cedo do que tarde, o BPN regressará à agenda parlamentar.

Com a crise económica e social a agravar-se, o Bloco levou ao Parlamento novas alternativas à política conduzida por Pedro Passos Coelho de empobrecimento do país e da maioria dos trabalhadores: a eliminação dos paraísos fiscais, a rejeição da transferência para o estado dos fundos de pensões da banca, o alargamento do complemento solidário para idosos, a gestão pública dos portos e o respeito pelas leis laborais nas atividades artísticas apoiadas por dinheiros públicos. PSD e CDS, com o apoio do PS na maior parte dos casos, encarregaram-se de as rejeitar. O plenário ouviu a voz do Bloco contra a fusão e extinção de freguesias prevista na reforma Relvas.

Ah, é verdade, ao contrário do que aconteceu por todo o país, o Carnaval não passou pelo Parlamento…

Sobre o/a autor(a)

Médico. Aderente do Bloco de Esquerda.
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