A crise na área da cultura continua a agravar-se, na última sexta-feira o director geral das artes, Jorge Barreto Xavier, entregou seu pedido de demissão. Segundo o responsável pela Direcção Geral das Artes (DGArtes) a sua demissão está relacionada com divergências sobre o modo de desenvolvimento das políticas de apoio às artes com a senhora ministra da Cultura.
Nomeado para o cargo em abril de 2008, pelo então ministro da Cultura José António Pinto Ribeiro, Jorge Barreto Xavier, de 44 anos, deixa a DGArtes após uma semana de grande contestação por parte de artistas e criadores, que lutam contra os efeitos dos cortes orçamentais de dez por cento nos apoios do Ministério da Cultura aos artistas independentes, às fundações e a outros agentes culturais.
Desde que foram anunciados, em meados de junho, cortes orçamentais para os organismos tutelados pelo Ministério da Cultura e nos apoios a agentes culturais que os artistas começaram a organizar-se em plataformas para condenar e protestar contra as medidas do Governo.
Para Ada Pereira da Silva, presidente da Associação dos Profissionais de Artes Cénicas (Plateia), esta demissão é preocupante: «É algo que, por um lado, entendemos porque Jorge Barreto Xavier vinha do meio e conhecia-o bastante bem e, contrariamente à tutela, nunca quebrou a comunicação com os profissionais no terreno. Por outro é algo que nos preocupa de sobremaneira».
Vale lembrar que a Direcção Geral das Artes (DGA) foi um dos organismos mais prejudicado com os cortes orçamentais. Antes do anúncio dos cortes, já Jorge Barreto Xavier, havia afirmado que a DGA estava a funcionar com os mínimos. Licenciado em Direito pela Universidade Nova de Lisboa, Barreto Xavier especializou-se em gestão na área das artes, foi vereador da Cultura na Câmara Municipal de Oeiras e dirigiu durante vários anos o Clube Português de Artes e Ideias, que fundou nos anos 80.