O Movimento Tavira em Transição denunciou, em comunicado, a “destruição de Árvores e Arbustos Autóctones, e Movimentação de Terras no Parque Natural da Ria Formosa”. O Tavira em Transição aponta “destruição de espécies arbóreas e arbustivas autóctones, nomeadamente alfarrobeiras e espécies da flora protegida do Parque Natural”, “movimentações de terras em larga escala”, “despedrega e alteração do perfil do terreno e destruição do coberto vegetal”, “criação de taludes em pleno Parque Natural da Ria Formosa, na Quinta da Mantarrôta, concelho de Vila Real de Santo António, Freguesia de Vila Nova de Cacela, entre Cacela Velha e Manta Rota”.
O movimento diz que já em abril de 2021 houve denúncias de trabalhos executados no mesmo terreno, tendo sido levantado auto. Porém, “isso não dissuadiu o proprietário do terreno” e a destruição iniciada a 1 de junho continua.
“A área que está a ser intervencionada tem mais de 15 hectares e destina-se a receber uma plantação de abacates”, afirma o movimento, sublinhando ainda que “a orientação Norte/Sul das linhas de plantação, exatamente no sentido da pendente para a Ria Formosa, farão com que ocorram escorrências de produtos agroquímicos e fertilizantes diretamente para esta paisagem protegida, tendo evidentemente consequências nefastas para este já tão ameaçado ecossistema”.
ICNF embarga trabalhos da Frusoal
Em 4 de junho, o Sul Informação noticiou que o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) embargou uma parte dos trabalhos que a Frusoal está a fazer na Quinta da Manta Rota, entre Cacela-Velha e Manta Rota, em pleno Parque Natural da Ria Formosa.
O diretor regional do ICNF diz que os trabalhos da Frusoal “entraram numa zona de proteção parcial 1”, destruíram “alfarrobeiras antigas” e a obra foi embargada em abril passado. Castelão Rodrigues diz também que só na zona junto à Ria Formosa e a uma casa é que “não podiam fazer o que fizeram”. Questionado sobre o que acontecerá agora, o diretor regional do ICNF responde que o instituto está “à espera da contra argumentção”, acrescenta que a faixa afetada tem cerca de “dois a três hectares” e que os promotores terão de, pelo menos, “repor a situação anterior ou reverter para uma situação natural”. Acrescenta ainda que pode haver lugar a coimas.
O Sul Informação sublinha que, apesar do embargo, o movimento Tavira em Transição denunciou que “as máquinas e as obras continuam ativas no referido local”.
O movimento Tavira em Transição manifestou depois no Facebook “indignação relativamente às declarações de Joaquim Castelão Rodrigues”, feitas na referida entrevista, considerando as afirmações do diretor regional do ICNF “no mínimo estranhas”, sublinhando que a intervenção da empresa é de mais de 15 hectares, o que “ultrapassa em muito” os dois ou três hectares, a que se refere Castelão Rodrigues.
O Sul Informação destaca que, no espaço de um ano, este é pelo menos o terceiro caso de destruição de coberto vegetal e obras ilegais nesta zona da Ria Formosa, junto a Cabanas de Tavira e Cacela-Velha e frisa que em todos os casos foram levantados autos de contraordenação.
Desastre ambiental com a cobertura do Governo
O deputado do Bloco de Esquerda Ricardo Vicente referiu-se nas redes sociais a este “desastre ambiental com a cobertura do Governo e das entidades públicas locais que permitem a instalação abusiva de agriculturas intensivas em zonas sensíveis de norte a sul do país”: